As Obras Completas de Flávio Josefo (The Works of Flavius Josephus 1860 | História dos Hebreus) representam um dos mais importantes livros da história judaico-romana e constituem uma fonte fundamental para a compreensão do mundo antigo e do contexto histórico e bíblico.
Escrita originalmente em grego, no século I d.C., pelo historiador judeu e fariseu Flávio Josefo, esta coleção é apresentada aqui em sua prestigiada TRADUÇÃO INTEGRAL PARA O INGLÊS, realizada por William Whiston e publicada em Londres pela editora Milner and Company em 1860.
Com notável abrangência histórica, a coleção reúne os 20 livros das Antiguidades Judaicas, os 7 livros de A Guerra dos Judeus, o tratado apologético Contra Apião e a Autobiografia de Josefo.
Ao longo de suas páginas, a obra percorre acontecimentos que vão desde a Criação e a entrega da Torá por Moisés até a queda de Jerusalém e a destruição do Segundo Templo, no ano 70 d.C.
Por se tratar de uma obra em domínio público, sua disponibilização gratuita tem como nobre propósito fomentar o estudo das fontes primárias, enriquecer a pesquisa histórica e teológica e proporcionar a alunos, pesquisadores e leitores acesso direto a um dos mais valiosos tesouros documentais da civilização ocidental.
Para baixar gratuitamente a sua cópia digital em PDF EM INGLÊS, clique no primeiro botão abaixo, onde está escrito >> HISTÓRIA DOS HEBREUS | BAIXAR PDF << e faça o download desta importante obra.
Esta edição das Obras Completas de Flávio Josefo (História dos Hebreus) reúne a tradução vitoriana de William Whiston EM INGLÊS e está disponível para interação com a Inteligência Artificial por meio do Gemini Notebook | IA.
No Gemini, o maior acervo historiográfico do mundo antigo e do contexto bíblico deixa de ser um monumento estático para se tornar um diálogo profundo, vivo e visceral com a sua mente.
Ao interagir com este assistente dedicado, você terá em suas mãos o poder de percorrer cada livro, capítulo e narrativa de Flávio Josefo, das Antiguidades Judaicas à Guerra dos Judeus e ao tratado Contra Apião, por meio de uma estrutura detalhada, rigorosa e profundamente reveladora.
É uma simbiose entre a língua portuguesa e a historiografia clássica do século I, moldada para que você caminhe pelas páginas da história com o rigor, a elevação e a precisão de um verdadeiro historiador e teólogo, desvelando, passo a passo, o contexto das Escrituras e a memória do povo hebreu.
Clique no botão abaixo >> HISTÓRIA DOS HEBREUS | INTERATIVA IA << e mergulhe na profundidade insondável da obra de Flávio Josefo.
Idioma da Obra: Inglês (English) — Tradução clássica de William Whiston, A.M.
Edição: Londres: Milner and Company, volume único (Complete in One Volume 1860).
Status Jurídico: Domínio Público (Acesso livre e gratuito para download em PDF e consulta).
Obras Integrantes do Acervo:
1. The Life of Flavius Josephus (A Autobiografia de Flávio Josefo)
Ano em que foi escrita: Cerca de 99–100 d.C. (final do século I d.C.).
Período histórico narrado: Do nascimento de Josefo em Jerusalém (37 d.C.) até cerca de 100 d.C. (abrangendo sua juventude, sua atuação militar e seus últimos anos em Roma).
Excelente para explicar: A trajetória pessoal do autor, o contexto político e militar da Galileia na véspera da guerra contra Roma, as divisões internas judaicas e a autodefesa de Josefo contra acusações de seus rivais políticos.
2. The Antiquities of the Jews (Antiguidades Judaicas - 20 Livros)
Ano em que foi escrita: Concluída por volta de 93–94 d.C. (no 13º ano do imperador Domiciano).
Período histórico narrado: Desde a Criação do Mundo (Gênesis) e a entrega da Torá por Moisés (c. 1451 a.C.) até a véspera da Grande Revolta Judaica no ano 66 d.C..
Excelente para explicar: A história abrangente do povo hebreu, a exegese clássica do Pentateuco, a era dos Reis e dos Profetas, o período Asmoneu/Macabeu, a ascensão da Dinastia Herodiana e o ambiente social, jurídico e religioso do judaísmo no período do Segundo Templo (incluindo passagens sobre João Batista, Tiago e Jesus).
3. The Wars of the Jews (A Guerra dos Judeus - 7 Livros)
Ano em que foi escrita: Cerca de 75–79 d.C. (sob o patrocínio dos imperadores Vespasiano e Tito).
Período histórico narrado: Do conflito macabeu contra Antíoco Epifânio (168 a.C.) até a Primeira Guerra Judaico-Romana, o Cerco e Destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.) e a queda de Masada (73/74 d.C.).
Excelente para explicar: A arquitetura militar romana, as táticas de cerco, as disputas brutais entre as facções judaicas (fariseus, saduceus, essênios, zelotes e sicários), a destruição de Jerusalém e o cumprimento das profecias sobre a desolação da Judeia.
4. Flavius Josephus Against Apion (Contra Apião — 2 Livros)
Ano em que foi escrita: Cerca de 94–100 d.C..
Período histórico narrado: Análise histórica e jurídica retrospectiva, comparando a antiguidade dos registros hebreus com as cronologias e mitologias do Egito, Grécia e Roma.
Excelente para explicar: A apologia e defesa do judaísmo contra o preconceito do mundo pagão, a prova da antiguidade histórica do povo hebreu e a superioridade ética, moral e humanitária da Lei Mosaica (destacando a teocracia e a proteção/alforria dada às mulheres cativas de guerra).
Ora, alguns dos judeus pensaram que a destruição do exército de Herodes veio de Deus, e isso, muito justamente, como punição pelo que ele fizera contra João, que era chamado o Batista.
Herodes o matou, embora João fosse um homem bom, que ordenava aos judeus que praticassem a virtude, tanto na justiça uns para com os outros quanto na piedade para com Deus, e que, assim, viessem ao batismo.
Segundo João, a lavagem com água seria aceitável, desde que não fosse utilizada apenas para o afastamento ou remissão de alguns pecados, mas para a purificação do corpo, supondo-se que a alma já tivesse sido previamente purificada pela justiça.
Ora, muitos outros também se aproximavam dele, pois ficavam profundamente comovidos ao ouvir suas palavras. Herodes, porém, temia que a grande influência de João sobre o povo pudesse levá-lo a suscitar uma rebelião, pois as pessoas pareciam prontas a fazer tudo quanto ele aconselhasse.
Por isso, julgou melhor matá-lo, prevenindo qualquer mal que João pudesse causar, em vez de arriscar poupar um homem que poderia fazê-lo arrepender-se quando já fosse tarde demais.
Assim, por causa do temperamento suspeitoso de Herodes, João foi enviado preso para Maqueronte [Macherus], a fortaleza mencionada anteriormente, e ali foi morto.
Por isso, os judeus tinham a opinião de que a destruição daquele exército havia sido enviada como punição sobre Herodes e como sinal do desfavor de Deus contra ele.
Por esse tempo, o Rei Aretas IV, rei da Arábia Petreia, e o tetrarca Herodes Antipas tiveram um grave desentendimento, pelo seguinte motivo: o tetrarca Herodes Antipas havia se casado com a princesa (filha do Rei Aretas IV) e vivido com ela por muito tempo.
Contudo, estando certa vez em viagem a Roma, o tetrarca Herodes Antipas hospedou-se na casa de seu meio-irmão, Herodes Filipe (filho de Herodes, o Grande com a filha de Simão, o Sumo Sacerdote).
No entanto, o tetrarca Herodes Antipas apaixonou-se por Herodias, esposa deste seu meio-irmão Herodes Filipe. Herodias era filha do príncipe Aristóbulo IV (irmão de ambos) e irmã do rei Herodes Agripa I (Agripa, o Grande).
O tetrarca Herodes Antipas aventurou-se a propor casamento a Herodias e, quando ela aceitou a proposta, fizeram um acordo para que Herodias se mudasse para a casa dele e se juntasse a ele assim que ele retornasse de Roma. Um dos termos desse matrimônio exigia que o tetrarca Herodes Antipas se divorciasse de sua esposa legítima, a princesa (filha do Rei Aretas IV).
Assim, o tetrarca Herodes Antipas, tendo firmado esse pacto, navegou para Roma. Após concluir os negócios que o haviam levado até ali, retornou; porém, sua esposa, a princesa (filha do Rei Aretas IV), descobriu o acordo secreto que ele fizera com Herodias, sabendo de tudo antes que ele percebesse que ela havia descoberto o plano.
Então, a princesa (filha do Rei Aretas IV) pediu a Herodes Antipas que a enviasse à fortaleza de Maqueronte, lugar situado nos confins dos domínios do Rei Aretas IV e de Herodes Antipas, sem revelar-lhe suas verdadeiras intenções de fuga. Consequentemente, Herodes Antipas a enviou para lá, julgando que sua esposa não percebera nada.
Entretanto, a princesa (filha do Rei Aretas IV) já havia enviado ordens antecipadamente a Maqueronte, que estava sob o domínio de seu pai, de modo que o general do exército do Rei Aretas IV preparasse tudo o que fosse necessário para a sua viagem.
Por esse meio, a princesa (filha do Rei Aretas IV) logo chegou à Arábia, acompanhada por vários generais, que a conduziram sucessivamente de um lugar para outro, até que, em breve, apresentou-se diante de seu pai, o Rei Aretas IV, e lhe contou as intenções de Herodes Antipas.
O Rei Aretas IV fez disso a causa principal de sua inimizade contra Herodes Antipas, com quem já mantinha disputas acerca dos limites da região de Gamalitis.
Levantaram-se, então, os exércitos de ambos os lados; prepararam-se para a guerra e enviaram seus generais para lutar em seu lugar. Travada a batalha, todo o exército de Herodes Antipas foi destruído, devido à traição de alguns fugitivos da tetrarquia de Filipe, o Tetrarca, que haviam se juntado ao exército do Rei Aretas IV. Herodes Antipas escreveu sobre esses acontecimentos ao imperador Tibério César..."
...mas Herodias (irmã do rei Herodes Agripa I), casou-se com Herodes Filipe (filho do Rei Herodes, o Grande, nascido de Mariamne II, filha do Sumo Sacerdote Simão ben Boethus). Dessa união nasceu uma filha chamada Princesa Salomé.
Depois do nascimento dela, Herodias tomou para si o ousado propósito de afrontar e transgredir as leis do nosso país, repudiando seu primeiro marido, Herodes Filipe, enquanto ele ainda estava vivo, e casando-se com o tetrarca Herodes Antipas (meio-irmão de seu marido Herodes Filipe por parte de pai), que era o tetrarca da Galileia.
A Princesa Salomé casou-se primeiro com seu tio, Filipe, o Tetrarca (governante de Traconites e filho de Herodes, o Grande). Como Filipe faleceu sem deixar herdeiros, Salomé casou-se em segundas núpcias com seu primo, o Rei Aristóbulo de Calcis (filho do rei Herodes de Calcis e irmão do rei Agripa II). Dessa segunda união nasceram três filhos, que receberam os nomes tradicionais da dinastia: Herodes, Agripa e Aristóbulo.
§ 1. "Mas Herodias, irmã do recém-coroado rei Herodes Agripa I e esposa do tetrarca Herodes Antipas (que governava a Galileia e a Pereia), encarou a autoridade concedida a seu irmão com profunda inveja.
Ela sentiu-se amargurada ao ver que seu irmão Herodes Agripa I fora revestido pelo Império Romano de uma dignidade real superior à de seu marido, o tetrarca Herodes Antipas. Afinal, quando Herodes Agripa I fugira anos antes, nem sequer conseguira pagar suas dívidas; contudo, ao retornar a Jerusalém, vinha cercado de imensa honra e riqueza.
Herodias ficou profundamente entristecida e desgostosa com tão grande mudança na sorte de seu irmão; e, principalmente ao ver o rei Herodes Agripa I marchar no meio da multidão revestido das insígnias reais costumeiras, não conseguiu ocultar o quanto se sentia miserável devido à inveja que nutria por ele.
Ela incitou seu marido, o tetrarca Herodes Antipas, e solicitou-lhe insistentemente que navegasse até Roma a fim de pleitear perante o imperador romano honras reais iguais às de seu irmão.
Herodias dizia que não podia suportar viver por mais tempo vendo Herodes Agripa I, filho do príncipe Aristóbulo IV (que fora condenado à morte pelo próprio pai, o Rei Herodes, o Grande), alguém que chegara à casa do tetrarca Herodes Antipas em tamanha pobreza que necessitava de mantimentos diários fornecidos por caridade, retornar agora como rei. Enquanto o próprio tetrarca Herodes Antipas, sendo filho direto de rei e possuindo linhagem real, permanecia inerte e contente com o mero título de tetrarca.
Herodias pressionava o marido dizendo: 'Entretanto, meu esposo Herodes Antipas, embora antes tu não te importasses em estar em condição inferior à de teu pai, o Rei Herodes, o Grande, busca agora a dignidade real que teu parente alcançou! Não suportes este desprezo de ver um homem que antes dependia de tuas riquezas ser elevado a uma honra maior do que a tua, nem permitas que a antiga pobreza dele se mostre capaz de adquirir coisas maiores do que a nossa abundância. Considera uma vergonha ser inferior àquele que, ainda outro dia, vivia da tua caridade. Vamos a Roma, e não poupemos dores nem despesas, quer de prata quer de ouro, pois estes bens não podem ser guardados para melhor uso do que para a obtenção de um reino!'
§ 2. Quanto ao tetrarca Herodes Antipas, ele opôs-se a este pedido naquele primeiro momento, por amor à comodidade e por suspeitar dos perigos e intrigas que enfrentaria na corte imperial em Roma; tentou, assim, aconselhar sua esposa Herodias.
Mas quanto mais ela o via recuar, mais o pressionava, desejando que ele não deixasse pedra sobre pedra até tornar-se rei. Por fim, Herodias não desistiu enquanto não o engajou, quisesse ele ou não, a adotar seus planos, visto que o tetrarca Herodes Antipas não podia de outro modo esquivar-se de suas incessantes importunações.
Ele aprontou tudo da forma mais suntuosa possível, sem poupar despesas, navegou para Roma e levou Herodias consigo.
Mas o rei Herodes Agripa I, ao ser informado de suas intenções e preparativos, aprontou-se também para agir. Assim que soube que o tetrarca Herodes Antipas e Herodias haviam se feito ao mar, enviou Fortunato (um de seus libertos de confiança) a Roma, levando presentes e cartas de acusação contra o tetrarca Herodes Antipas, para entregar ao imperador Caio Calígula um relato minucioso na primeira oportunidade.
Fortunato seguiu o tetrarca Herodes Antipas com tal rapidez e teve uma viagem tão próspera que chegou a Roma logo após a chegada de Antipas; pois uma tempestade impelira a frota de Herodes Antipas para a costa da Campânia.
Enquanto o tetrarca Herodes Antipas estava em audiência com o imperador Caio Calígula, Fortunato apresentou-se e entregou as cartas de acusações enviadas pelo rei Herodes Agripa I.
O imperador Caio Calígula saudou o tetrarca Herodes Antipas, pois encontrou-se primeiro com ele, mas em seguida examinou as cartas trazidas por Fortunato.
Nas cartas, o rei Herodes Agripa I acusava o tetrarca Herodes Antipas de ter estado em conspiração com Lúcio Aélio Sejano contra o governo do falecido imperador Tibério César, e de estar agora secretamente aliado ao rei Artabano II da Pártia em oposição ao governo do imperador Caio Calígula.
Como prova da acusação, o rei Herodes Agripa I alegava que o tetrarca Herodes Antipas mantinha arsenais secretos com armaduras suficientes para equipar setenta mil homens.
O imperador Caio Calígula impressionou-se com essa informação e perguntou ao tetrarca Herodes Antipas se o que fora dito sobre os arsenais de armaduras era verdade.
Tendo o tetrarca Herodes Antipas confessado que possuía tais armaduras (pois não podia negar um fato tão notório), o imperador Caio Calígula tomou a confissão como prova suficiente de que Antipas tencionava liderar uma rebelião armada.
O imperador Caio Calígula destituiu o tetrarca Herodes Antipas de seu governo, tirou-lhe a tetrarquia e concedeu seus territórios e riquezas como um acréscimo ao reino do rei Herodes Agripa I.
Como punição, o imperador sentenciou o tetrarca Herodes Antipas ao banimento perpétuo, designando a cidade de Lyon, na Gália, para ser o seu local de exílio.
Contudo, ao ser informado de que Herodias era irmã do rei Herodes Agripa I, o imperador Caio Calígula decidiu poupá-la: permitiu que ela mantivesse seus bens pessoais e disse-lhe que fora o respeito de seu irmão Herodes Agripa I que impedira que ela sofresse a mesma calamidade que seu marido.
Herodias, porém, respondeu ao imperador: 'Tu, de fato, ó imperador Caio Calígula, ages de modo magnífico e condizente com tua majestade no que me ofereces; mas o afeto que tenho por meu marido impede-me de aceitar o teu favor. Pois não seria justo que eu, que fui feita parceira de Herodes Antipas em sua prosperidade, o abandone agora em suas desgraças!'
Diante dessa resposta, o imperador Caio Calígula irou-se contra ela e enviou Herodias juntamente com o tetrarca Herodes Antipas para o exílio na Gália, entregando todos os seus bens e territórios ao rei Herodes Agripa I.
E assim Deus puniu Herodias por sua inveja desmedida contra seu irmão Herodes Agripa I, e puniu o tetrarca Herodes Antipas por dar ouvidos às ambições vãs de sua mulher.
Ora, o imperador Caio Calígula concedeu os territórios da tetrarquia de Filipe, o Tetrarca ao seu aliado Herodes Agripa I (neto do Rei Herodes, o Grande).
Quando Herodes Agripa I alcançou tão elevada dignidade real, porém, inflamou os desejos ambiciosos de seu cunhado, o tetrarca Herodes Antipas, que foi levado a aspirar à autoridade de rei principalmente por influência de sua esposa, Herodias.
Herodias o censurava por sua indolência e dizia-lhe que era somente porque ele não queria navegar até Roma para falar com o imperador Caio Calígula que continuava privado de tão grande dignidade.
Esses argumentos de Herodias prevaleceram sobre o tetrarca Herodes Antipas. Ele foi, então, até o imperador Caio Calígula, que o puniu por sua ambição desmedida e o baniu para o exílio na Gália [Espanha].
O rei Herodes Agripa I enviou acusações contra ele para Roma, e o imperador Caio Calígula concedeu também os territórios do tetrarca Herodes Antipas como um acréscimo ao reino de Herodes Agripa I. Assim, o tetrarca Herodes Antipas faleceu no exílio na Gália [Espanha], para onde sua esposa, Herodias, o havia acompanhado.
Quanto à carta de divórcio e ao dote., na Lei Mosaica (Deuteronômio 24:1), o divórcio era um ato exclusivamente masculino, no qual o marido devia redigir e entregar à mulher uma carta de divórcio/repúdio e devolver o dote (Ketubah) recebido no casamento. No caso de Herodes Antipas, o casamento com a filha do rei Aretas IV era um tratado diplomático de paz entre a Galileia e a Arábia Nabateia.
Herodes Antipas concordou no pacto com Herodias que iria repudiar/divorciar sua esposa. Porém, ele não chegou a entregar a carta de divórcio nem a formalizar a devolução do dote, porque a princesa árabe descobriu a trama em segredo e fugiu antes de um divórcio formal.
A "indenização" virou guerra: A princesa árabe enganou Antipas solicitando para ir até a fortaleza de Maqueronte e, de lá, fugiu para a Arábia para junto de seu pai. O Rei Aretas IV considerou a intenção de repúdio sem o devido respeito ao tratado e ao dote um insulto de estado e uma quebra de aliança geopolítica. Foi justamente essa violação do acordo matrimonial (somada a disputas de fronteira) que levou Aretas IV a declarar guerra contra Antipas e aniquilar o exército herodiano, e o que era para ser uma indenização simples acabou se tornando uma guerra.
João Batista condenou a união entre Herodes Antipas e Herodias, pois, para a comunidade judaica, o ato de Herodias não tinha validade jurídica sob a Torá. Como Herodes Filipe não havia emitido uma carta de divórcio repudiando Herodias, ela continuava legalmente casada com ele. Portanto, a união de Herodes Antipas com Herodias era considerada simultaneamente adultério, por ela ainda ser casada, e incesto, por ser esposa do seu meio-irmão ainda vivo.
Sim, eles se uniram e permaneceram juntos até o exílio final.
A despeito da fuga da princesa árabe, da subsequente guerra promovida por Aretas IV (que resultou na destruição total do exército de Antipas) e das acusações morais da sociedade judaica, Herodias concretizou a separação de Herodes Filipe e casou-se com Herodes Antipas.
Essa união durou até a ruína política do casal. Quando o imperador romano Caio Calígula destituiu Herodes Antipas do poder e o sentenciou ao banimento perpétuo na cidade de Lyon, na Gália, o imperador decidiu poupar Herodias, oferecendo-lhe a manutenção de seus bens e liberdade por ser irmã de Herodes Agripa I.
Herodias, no entanto, recusou a graça imperial, afirmando que seria injusto abandonar o marido na desgraça após ter sido parceira de sua prosperidade, e seguiu acompanhando Herodes Antipas no exílio até a morte de ambos.
Bibliografia
JOSEPHUS, Flavius. The Works of Flavius Josephus. London: Milner and Company, 1860.
© Editora Solus Ágape | 2026. Projeto de pesquisa literária, histórica e teológica idealizado por Thiago Silva, autor do livro: O Amor é Soberano | Conhecendo o Amor e sendo conhecido por Ele.
Aviso de Domínio Público: todas as obras milenares, textos clássicos e arquivos em PDF disponibilizados para download neste site pertencem ao domínio público mundial ou possuem licença de livre distribuição.
O propósito deste site é a educação, a pesquisa acadêmica e a preservação do patrimônio intelectual da humanidade, sem amarras dogmáticas.
Toda tradução é uma interpretação.
Thiago Silva | Solus Ágape