Antes porém... leia...
As palavras a seguir foram escritas no século IV, mas batem no ritmo do seu coração até hoje. Leia-as devagar, e se permita tocar por essa chama do amor que nunca se apaga.
Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei! Eis que estavas dentro de mim, e eu estava fora. Era lá fora que eu Te procurava e, disforme como eu era, me atirava sobre as coisas formosas que Tu criaste.
Tu estavas comigo, mas eu não estava Contigo. Retinham-me longe de Ti as próprias coisas que, se não existissem em Ti, sequer existiriam.
Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste e afugentaste a minha cegueira. Exalaste o Teu perfume; eu o respirei, e agora suspiro por Ti. Provei-Te, e agora tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e eu ardi de desejo pela Tua paz.
(Livro 10 Capítulo 27)
O que é, afinal, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei o que é. Mas, se eu quiser explicá-lo a quem me pergunta, já não sei.
(Livro 11 Capítulo 14)
Senhor, dá-me castidade e abstinência, mas não agora.
(Livro 8 capítulo 7)
O meu amor é o meu peso, o meu centro de gravidade. É ele que me conduz e me move para onde quer que eu vá. É pelo Teu sopro que nos acendemos e somos elevados; nosso peito arde, e nós caminhamos... Subimos os degraus do coração e cantamos a canção da nossa caminhada.
(Livro 13, Capítulo 9)
Alguém disse uma vez, com muita delicadeza, que o seu amigo era 'a metade da sua própria alma'. E eu hoje sinto exatamente isso: que a minha alma e a sua são uma única e mesma alma, vivendo e respirando em dois corpos.
(Livro 4, Capítulo 6)
Se a beleza do corpo te agrada, louva ao Criador por esse encanto... Mas se são as almas que te encantam, que elas se amem em Deus. Pois as almas mudam e passam, mas quando se apoiam Nele, elas se firmam e encontram, finalmente, o descanso.
(Livro 4, Capítulo 12)
Deus, luz do meu coração, pão que alimenta a fome mais íntima da minha alma, força sagrada que desposa a minha mente e regaço onde descansam todos os meus pensamentos...
(Livro 1, Capítulo 13)
O que eu amo, quando amo Você? Não é a beleza de um corpo físico, nem a harmonia passageira do tempo, nem o brilho da luz que acaricia os olhos... Mas amo uma espécie de luz, de voz, de perfume, de alimento e de abraço invisível quando amo o meu Deus.
(Livro 10, Capítulo 6)
Tu nos incitas para que encontremos alegria em Te louvar, porque nos fizeste para Ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti.
(Livro 1 capítulo 1)
Como é feliz quem ama você, meu Deus, e sabe amar o outro em você... Pois no Teu abraço, ninguém perde quem lhe é querido, já que todos são guardados Naquele que jamais se perde.
(Livro 4, Capítulo 9)
Como foi doce, de repente, abrir mão das ilusões que antes me prendiam! O que eu tinha medo de perder, agora deixo ir com alegria. Pois Tu entraste em minha vida, Tu que és a verdadeira e mais alta doçura — mais suave do que qualquer prazer, mais profunda do que todo o orgulho, e o porto seguro onde meu coração finalmente descansou.
(Livro 9, Capítulo 1)
Para que Tu te tornes para mim uma doçura maior do que todas as ilusões que eu antes seguia; para que eu Te ame com todas as forças da minha alma e segure a Tua mão com todo o meu coração.
(Livro 1, Capítulo 15)
O que mais me encantava na vida, senão amar e ser amado? Cruzar o olhar com o seu e traçar aquela linha luminosa de carinho, onde a amizade pura se transforma no encontro mais bonito.
(Livro 2, Capítulo 2)
Às vezes, você me envolve em um sentimento tão profundo e novo, em uma doçura tão inexplicável dentro do meu peito, que se ela se completar em mim, eu já não sei o que será... Só sei que esta vida nunca mais será a mesma.
(Livro 10, Capítulo 40)
Dá-nos a tua paz, pois tudo o que temos de mais bonito vem de Ti. Dá-nos a paz do abraço calmo, a paz do descanso seguro, uma paz doce e sem entardecer, onde o sol do nosso amor nunca se põe.
(Livro 13, Capítulo 35)
Eu chamo você para morar na minha alma, que se abre e se prepara inteira para te receber e te abraçar. Entra na minha vida e faz dela o teu lar.
(Livro 13, Capítulo 1)
É ali que deves fazer a tua morada, meu coração, ali onde podes entregar tudo o que tens. Confia o teu amor à própria Verdade, e nada do que é belo jamais se perderá.
(Livro 4, Capítulo 11)
É a Ele que devemos amar, a Ele por quem o nosso coração pulsa. Pois o amor não está longe de nós; Ele não nos criou para depois nos deixar sós. Ele habita no mais íntimo de nós, lá onde a verdade se faz sentir.
(Livro 4, Capítulo 12)
Quem me dará o privilégio de descansar em ti? Quem fará com que entres no meu coração para inundá-lo com a tua presença, para que eu esqueça as minhas dores e abrace, finalmente, o meu único e verdadeiro bem?
(Livro 1, Capítulo 5)
Ó Amor, que arde sem cessar e que nunca, nunca se apaga! Tu que és a minha própria vida, acende em mim essa chama para que eu saiba amar cada vez mais.
(Livro 10, Capítulo 29)
Tudo o que está fora do lugar vive inquieto e sem rumo; mas quando as coisas se alinham e encontram a sua harmonia, elas finalmente descansam. O nosso amor é essa ordem suave que acalma a alma e nos faz repousar em paz.
(Livro 13, Capítulo 9)
A felicidade de uma vida inteira é esta: alegrar-me em você, caminhar ao seu lado e viver por você. Essa é a única e verdadeira felicidade, e não existe outra.
(Livro 10, Capítulo 22)
Dá-me forças para te entregar tudo o que me pedires, e pede ao meu coração tudo o que você desejar.
(Livro 10, Capítulo 29)
Traduzida diretamente do latim clássico pelos renomados padres jesuítas J. Oliveira Santos (S. J.) e A. Ambrósio de Pina (S. J.) e agora em domínio público, esta obra monumental é amplamente consagrada pela preciosidade teológica, histórica e literária ao apresentar a sabedoria espiritual e filosófica das Confissões de Santo Agostinho com absoluto rigor filológico e comovente beleza lírica.
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Bibliografia: AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de J. Oliveira Santos, S. J. e A. Ambrósio de Pina, S. J. Revisão, notas adicionais e edição de E. L. de Souza Campos. Niterói, RJ. Valdemar Teodoro Editor. 2024.
Nota ao leitor: esta edição é de livre distribuição. A autorização para o compartilhamento e a reprodução do material consta expressamente na própria página de créditos da obra, que estabelece: "Toda cópia e divulgação são permitidas, desde que citada a fonte".
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Publicada originalmente em Florença pela renomada tipografia de Pietro Gaetano Viviani (1758) e agora em domínio público, esta obra monumental é amplamente consagrada pela preciosidade teológica, histórica e filológica ao apresentar a sabedoria espiritual e filosófica das Confissões de Santo Agostinho em seu texto original latino com absoluto rigor acadêmico e extraordinária profundidade clássica.
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Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, que eu leve a união; Onde houver dúvida, que eu leve a fé; Onde houver erro, que eu leve a verdade; Onde houver desespero, que eu leve a esperança; Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar do que ser consolado; compreender do que ser compreendido; amar do que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Uma vez por todas, portanto,
te é dada uma breve regra:
Ama, e faz o que quiseres.
Se calas, cala por amor.
Se falas, fala por amor.
Se corriges, corrige por amor.
Se perdoas, perdoa por amor.
Tenha no fundo do coração a raiz do amor.
Dessa raiz não pode sair senão o bem. [1]
Bibliografia
[1] AUGUSTINUS, Aurelius. In Epistulam Joannis ad Parthos tractatus decem. In: MIGNE, Jacques-Paul (org.). Patrologia Cursus Completus: Series Latina. Paris: Garnier Fratres, 1845. v. 35, col. 2033. (Tractatus VII, par. 8).
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