Deus não joga dados com o universo.
Albert Einstein
Deus concedeu à humanidade a extraordinária oportunidade de escolher a própria colheita através da Lei universal da Semeadura. Ele não impõe um futuro arbitrário, mas estabelece um princípio imutável de multiplicação: semear é igual a multiplicar. Cada semente produz segundo a sua natureza, 0 processo é silencioso, mas inevitável:
Semeia um ato, colha um hábito. Semeia um hábito, colha um caráter. Semeia um caráter, colha um destino. Semeia um destino, colha uma eternidade.[1]
A vida inteira do ser humano é uma plantação que o Criador observa, pesa, mede e recompensa. Nada escapa aos olhos de Deus, porque Seus olhos estão em todo lugar. [2] Todas as coisas estão nuas e visíveis diante d’Aquele a quem toda pessoa, um dia, há de prestar contas. [3] Os Céus e a Terra permanecem como testemunhas solenes das sementes que você lança ao solo da existência, por sua livre e espontânea vontade. [4] O Criador permite que você escolha a semente que deseja semear, porque é na liberdade da sua escolha que se revela a dignidade da sua colheita.
Diante de nós, estendem-se dois vales vastos, distintos e opostos. Aquele que escolhe semear o mal, a injustiça e o ódio, inevitavelmente caminhará em direção ao vale da maldição, da angústia e da morte. Por outro lado, aquele que, decide semear o bem, a justiça e o amor, caminhará em direção ao vale que floresce em bênção, paz e vida. Não existe neutro moral na existência. Não há como plantar sementes de arbustos espinhosos e colher árvores em flor. É uma loucura alguém plantar o joio e esperar colher o trigo, porque dentro da semente já está a árvore. [5]
Neste tribunal divino, a balança é justa. O universo moral é tão ordenado quanto o universo físico, portanto, não há erro de cálculo na retribuição divina. Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras. Há recompensa certa para o justo, pois há um Deus que executa o julgamento sobre a terra com perfeita equidade. [6] Todo aquele que pratica a injustiça receberá, como reflexo fiel, a própria injustiça que gerou, nisto não existe parcialidade, nem favoritismo. [7] Aquele que insiste em semear a iniquidade tem a garantia trágica de que colherá sofrimento, e sua indignação não terá nenhum valor no dia da colheita. [8]
A Lei da Semeadura é a regra geral da existência de todos os seres humanos: “Assim como os bons serão recompensados aqui na terra, também os maus serão castigados”.[9] Contudo, não veja esta lei apenas como uma lei cega, impessoal e sem coração; ela é uma revelação visível da justiça, da misericórdia e do profundo amor de Deus, que nos trata como seres responsáveis, livres e dignos.
A Lei da Semeadura não atua apenas no indivíduo, mas atravessa povos, culturas e gerações. Toda comunidade colhe aquilo que, em conjunto, decidiu semear. Quando a justiça é plantada como fundamento, nasce a paz que traz a segurança duradoura. [10] Mas quando a violência se torna semente, ela retorna como tormenta, porque quem semeia ventos colherá tempestades. [11] A semeadura coletiva forma o ambiente em que todos vivem: sociedades amadurecem ou se atrofiam conforme as sementes que cultivam; comunidades prosperam ou se desfazem segundo os frutos de sua própria plantação. A colheita de uma geração não nasce do acaso, por acidente ou por engano, mas do solo que ela mesma prepara, planta e cultiva por décadas.
O sofrimento do justo não será esquecido; a maldade do ímpio não passará despercebida. Há sofrimentos na vida do justo que não são castigos divinos, nem punições pelos erros ou sinais de abandono. São exames silenciosos que revelam caráter, elevam a alma, purificam o coração, amadurecem o ser, dão testemunho de vida e ampliam a glória que está por vir. Assim como o ouro se torna mais puro quando passa pelo fogo, o justo se torna mais puro quando passa pelas tribulações. No decorrer das tribulações, algo sagrado acontece: a tribulação gera paciência; a paciência molda a experiência; e a experiência floresce em esperança. Assim, aquilo que o mundo chama de perda torna-se, nas mãos do Criador, lapidação, crescimento e herança eterna.
A queda do ímpio não é acidente, é colheita. Por um pouco de tempo e ele ainda permanece, mas logo não existirá; quando o buscarem, não será encontrado. Sua luz se apaga como lâmpada que perde o brilho. [12] Sua ruína chega de repente, sem aviso, como quem pisa em lugar escorregadio e se destrói na queda. [13] Toda a sua prosperidade é breve e enganosa: neblina que aparece por um instante e logo se dissipa, [14] relva que seca ao calor do dia, [15] vapor que se desfaz no ar. [16] O ímpio floresce como miragem, levanta-se rápido, mas não permanece; ergue-se por um momento, mas cai como poeira.
Na arquitetura da vida, a regra é simples: a gente colhe o que a gente planta. Assim como o trabalhador é digno de seu salário, [17] o semeador é digno de sua colheita, seja ela boa ou má. [18] O princípio que rege a escassez e a abundância é lógico, coerente e espiritual: quem semeia pouco, com egoísmo, pouco colherá; mas quem semeia em abundância, com o coração aberto, em abundância colherá. [19] Aquele que doa liberalmente verá seus celeiros transbordarem, pois mais e mais lhe será acrescentado; mas aquele que retém mais do que é justo, movido pelo medo ou avareza, caminhará para a pura perda. [20] A generosidade, portanto, é a semente mais rentável do Reino de Deus.
E mesmo nos dias difíceis, a promessa se mantém. “Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria trazendo os seus feixes.” [21] Antes do júbilo da vitória, muitas vezes é necessária a perseverança na dor.
A severidade da lei universal da semeadura não anula a esperança da Graça redentora. Existe um milagre muito especial reservado para o solo exausto de sementes ruins: o agir de Deus mediante o arrependimento genuíno do homem. Quando a alma se humilha, reconhece sua incapacidade de se restaurar sozinha e abandona seus maus caminhos, abrindo de dentro do ser a porta do seu coração, o Criador assume Seu lugar de Lavrador paciente. Então, Ele rasga a terra estéril, quebra a crosta endurecida do coração e extirpa as ervas daninhas pela raiz.
Deus prepara o solo para uma nova espécie de semente. Ele não invade o campo, mas opera através da nossa entrega consciente. O perdão divino tem o poder capaz de interromper colheitas de juízo e transformar desertos de culpa em jardins de recomeço. Por meio desse perdão, não somos reféns irreversíveis de nosso passado, pois o Autor da vida é o Senhor de novas estações, novos ciclos e novos começos. Embora ninguém possa desfazer o plantio de ontem, a Graça nos capacita a permitir que Deus lance, hoje, as sementes puras que escreverão a história das nossas próximas colheitas.
Semeia o amor e não tema a colheita.
Referências
[1] (CHAMPLIN, 2018, p. 499).
[2] Provérbios 15:3
[3] Hebreu 4:13
[4] Deuteronômio 30:19
[5] Gálatas 6:8
[6] Salmos 58:11
[7] Colossenses 3:25
[8] Provérbios 22:8
[9] Provérbio 11:31
[10] Isaías 32:17
[11] Oséias 8:7
[12] Jó 18.5
[13] Provérbios 6.15; Salmos 73.18-19
[14] Tiago 4.14
[15] Salmos 37.2
[16] Salmos 90.5
[17] Timóteo 5:18
[18] 2 Coríntios 5:10
[19] 2 Coríntios 9:6
[20] Provérbios 11:24-25
[21] Salmos 126:6
O que é a vida? É plantar e colher!
Anônima
A vida é a sublime arte de semear e o incontestável dever de colher. Você será julgado com o mesmo critério com que costuma julgar os outros.[1] Você será medido e avaliado com o mesmo critério com que costuma medir e avaliar os outros. Aquilo que você fizer aos outros, outros farão a você.
Se você desprezar os outros, outros desprezarão você. Se você falar mal dos outros, outros falarão mal de você. Se você odiar os outros, os outros odiarão você. Em contraste, se você acolher os outros, outros acolherão você. Se você falar bem dos outros, outros falarão bem de você. Se você amar os outros, os outros amarão você.
Esta é a verdade essencial da vida: aquilo que você plantar, cedo ou tarde, certamente colherá. Faça aos outros o bem que você gostaria que fizessem a você. [2]
Tudo o que você fizer aos outros refletirá em você, por isso, escolha fazer o bem, sempre, e faça-o apenas porque é o certo a se fazer. Lembre-se: Fazer o certo por motivos errados não trará bons resultados. A pureza da intenção na semeadura será como um fertilizante na hora da germinação e em todo o ciclo da semente.
A lei da semeadura é como um espelho inquebrável. Ninguém escapa do reflexo das próprias ações. O mundo que se constrói ao seu redor, o nível de respeito, de cuidado ou de hostilidade que você colhe é o reflexo fiel das sementes que você escolheu lançar no solo da convivência. Sua vida social é, portanto, a colheita das suas escolhas.
Referências
[1] Mateus 7:2 | Romanos 2:1 | Tiago 4:11.
[2] Mateus 7:12.