Português
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso; e em Cristo Jesus, Seu Filho unigênito, nosso Senhor, o qual foi gerado do Espírito Santo e de Maria, a virgem, crucificado sob Pôncio Pilatos e sepultado, ao terceiro dia ressurgido dentre os mortos, subido aos céus, à direita do Pai, de onde vem para julgar vivos e mortos; e no Espírito Santo, na santa Igreja, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne.
Ελληνικά | Grego
Πιστεύω εἰς θεὸν πατέρα παντοκράτορα· καὶ εἰς Χριστὸν Ἰησοῦν (τὸν) υἱὸν αὐτοῦ τὸν μονογενῆ, τὸν κύριον ἡμῶν, τὸν γεννηθέντα ἐκ πνεύματος ἁγίου καὶ Μαρίας τῆς παρθένου, τὸν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου σταυρωθέντα καὶ ταφέντα, τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ ἀναστάντα ἐκ (τῶν) νεκρῶν, ἀναβάντα εἰς τοὺς οὐρανούς, ἐν δεξιᾷ τοῦ πατρός, ὅθεν ἔρχεται κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς· καὶ εἰς πνεῦμα ἅγιον, ἁγίαν ἐκκλησίαν, ἄφεσιν ἁμαρτιῶν, σαρκὸς ἀνάστασιν.
English | Inglês
I believe in God Father Almighty; and in Christ Jesus His only-begotten Son, our Lord, who was born of the Holy Spirit and Mary the virgin, crucified under Pontius Pilate and buried, on the third day risen from the dead, ascended into the heavens, at the right hand of the Father, from thence He comes to judge the living and the dead; and in the Holy Spirit, the holy Church, the remission of sins, the resurrection of the flesh.
Español | Espanhol
Creo en Dios Padre Todopoderoso; y en Cristo Jesús, Su Hijo unigénito, nuestro Señor, el nacido del Espíritu Santo y de María la virgen, crucificado bajo Poncio Pilato y sepultado, al tercer día resucitado de entre los muertos, subido a los cielos, a la derecha del Padre, de donde viene a juzgar a vivos y muertos; y en el Espíritu Santo, la santa Iglesia, la remisión de los pecados, la resurrección de la carne.
A história do Credo dos Apóstolos é uma fascinante viagem de quase dois milênios, cheia de reviravoltas geográficas e debates teológicos (estudos de Deus, reflexões religiosas) profundos.
No início, a Igreja de Roma não utilizava a versão latina longa que hoje conhecemos, mas sim uma fórmula muito mais curta e direta escrita em grego, chamada de Símbolo Romano Antigo. Este texto primitivo foi registrado oficialmente por Marcelo de Ancira no ano de 337 d.C., quando ele enviou uma carta ao bispo Júlio de Roma para provar sua ortodoxia (doutrina correta, retidão de fé).
As pesquisas filológicas (estudo de textos, análise de palavras) mostram que essa fórmula grega original já era amplamente usada em Roma desde meados do século II, por volta do ano 140 d.C..
A Rigidez de Roma e o Escrúpulo na Conservação
Durante os primeiros séculos, a Igreja de Roma mantinha esse Símbolo Romano com uma fidelidade escrupulosa (rigorosa, extremamente cuidadosa). Grandes teólogos da patrística (teologia antiga, estudo dos antigos padres) como Santo Ambrósio e Rufino de Aquileia testemunharam que a comunidade romana protegia o texto de forma intemerata (pura, sem manchas), proibindo terminantemente que qualquer palavra fosse acrescentada ou retirada.
Rufino explicava que essa pureza era mantida por dois motivos principais: primeiro, porque nenhuma heresia (doutrina incorreta, desvio da fé) jamais havia começado na cidade de Roma; segundo, porque os candidatos ao batismo precisavam recitar o credo em voz alta diante de toda a assembleia, o que impedia qualquer alteração ou acréscimo secreto.
O Desvio Histórico: A Ameaça do Arianismo
Contudo, no século VI, a história tomou um rumo inesperado. A Igreja de Roma enfrentou a terrível ameaça do arianismo (visão teológica herética, doutrina que negava a divindade plena de Cristo). Para combater essa crise de fé com ferramentas conceituais mais fortes, Roma decidiu deixar temporariamente de lado o seu curto Símbolo Romano tradicional e adotou em seu lugar o Credo Niceno-Constantinopolitano na liturgia (culto oficial, ritual eclesiástico) batismal. Isso fez com que o antigo símbolo grego caísse em desuso e ficasse esquecido na própria cidade de Roma.
O Laboratório da Gália Meridional
Enquanto o texto original adormecia em Roma, ele continuou vivo e altamente ativo nas províncias da Europa Ocidental, especialmente na Gália meridional (sul da França). Longe do controle rígido de Roma, as igrejas provinciais (regionais, locais) começaram a enriquecer o esqueleto do credo com interpolações (acréscimos, inserções) histórico-narrativas (históricas, descritivas).
Essas modificações não tinham a intenção de criar novos dogmas (doutrinas indiscutíveis, verdades de fé), mas sim de tornar o relato da paixão de Cristo mais claro e didático para instruir o povo.
O caminho dessa expansão gradual pode ser mapeado através de manuscritos antigos:
O Símbolo do Códice de Berna (século IV): O pesquisador arqueológico (histórico, documental antigo) de manuscritos Bratke descobriu um documento de origem galico-britânica que mostra o primeiro estágio dessa evolução. Este texto diferia do antigo símbolo romano apenas pela adição de quatro cláusulas (frases, artigos de fé): passus (sofreu), descendit ad inferos (desceu aos infernos), catholicam (católica) e vitam aeternam (vida eterna).
Outras adições francesas: Pouco tempo depois, foram inseridas as expressões creatorem caeli et terrae (criador do céu e da terra) e mortuus (morto).
Acréscimos tardios: Elementos como conceptus (concebido) e communionem sanctorum (comunhão dos santos) foram os últimos a encontrar um lugar definitivo na estrutura.
As Cláusulas Mais Misteriosas do Credo
A evolução do credo trouxe duas adições que geram intensos debates acadêmicos devido à sua complexidade teológica:
A Descida ao Inferno (descendit ad inferna): Esta frase apareceu pela primeira vez no Ocidente no credo da igreja de Aquileia, comentado por Rufino por volta do ano 400 d.C.. Embora a descida de Cristo ao Hades (mansão dos mortos, morada subterrânea) fizesse parte da pregação cristã desde o século II, sua inclusão no credo tinha um propósito mais de completude histórica do que especulativo (teórico, abstrato). Os intérpretes mais antigos explicavam que "desceu ao inferno" era apenas um sinônimo de sepultus (sepultado), servindo para enfatizar a realidade visceral (profunda, física) da morte de Jesus contra o docetismo (heresia que pregava que o corpo de Cristo era apenas uma ilusão, aparência sem corpo real).
A Comunhão dos Santos (sanctorum communionem): Esta é a adição mais enigmática (misteriosa, incompreensível) de todas. Alguns historiadores propõem que ela surgiu devido à influência da atividade catequética (instrucional, de ensino doutrinário) de São Cirilo de Jerusalém, cujos ensinamentos viajaram da Panônia e de Aquileia até a Gália. Outros pesquisadores argumentam que ela deve ser entendida no sentido puramente agostiniano (referente à teologia de Santo Agostinho, doutrina agostiniana) como a Igreja sendo a comunidade de todos os santos, ou na visão de Fausto de Riez como uma associação mística com os mártires (testemunhas da fé, mortos por suas crenças) e homens santos. Há ainda quem defenda que o termo grego original se referia à comunhão das coisas sagradas, os sacramenta (sacramentos, rituais sagrados).
A Consolidação Definitiva e a Reimportação por Roma
Toda essa rica evolução na França culminou na consolidação do textus receptus (texto padrão, versão recebida). O credo completo aparece de forma madura pela primeira vez em um sermão de Cesário de Arles, por volta do ano 500 d.C., tendo como provável base o trabalho de Fausto de Riez de 460 d.C..
A estabilização conclusiva, definitiva e oficial desse texto expandido foi registrada pelo monge missionário São Pirmínio em sua obra teológica escrita por volta de 710–724 d.C.
Séculos mais tarde, a Igreja de Roma decidiu restabelecer um credo em sua liturgia. Ao se deparar com a versão que vinha da França, os romanos não a rejeitaram; pelo contrário, aceitaram-na facilmente porque a reconheceram como uma "antiga conhecida", ignorando as pequenas diferenças textuais.
Com esse retorno triunfal, a antiga lenda de que os doze apóstolos haviam escrito cada uma das doze frases sob inspiração divina ganhou força novamente e dominou o imaginário medieval, só sendo refutada (desmascarada, desfeita) com a chegada do Renascimento (renovação cultural, redescoberta clássica) e da Reforma Protestante (movimento de renovação, cisão religiosa).
Assim, o antigo Símbolo Romano grego, enriquecido pelas províncias da Gália, tornou-se o Credo dos Apóstolos que une o Ocidente cristão até hoje.
Palavras que foram acrescentadas ao Credo Apostólico.
Sofreu (passus) — Século IV (c. 340–360 d.C.)
Desceu à mansão dos mortos / desceu aos infernos (descendit ad inferos / descendit ad inferna) — Século IV / Ano 400 d.C..
Católica (catholicam) — Século IV (c. 340–360 d.C.)
Vida eterna (vitam aeternam) — Século IV (c. 340–360 d.C.)
Criador do céu e da terra (creatorem caeli et terrae) — Século V (antes do ano 460 d.C.)
Morto (mortuus) — Século V (antes do ano 460 d.C.)
Concebido (conceptus) — Século V (c. 460 d.C.)
Comunhão dos santos (communionem sanctorum) — Século VI (c. 500 d.C.)
De Deus [Pai] Todo-Poderoso (Dei [Patris] omnipotentis — adicionado à frase "está sentado à direita do Pai") — Século VI (c. 500 d.C.)
Amém (amen) — Século VI (c. 500 d.C.)
Credo dos Apóstolos (Symbolum Apostolicum) | Forma Recepta | Latim
Credo in Deum Patrem omnipotentem; Creatorem caeli et terrae.
Et in Jesum Christum, Filium eius unicum, Dominum nostrum; qui conceptus est de Spiritu Sancto, natus ex Maria virgine; passus sub Pontio Pilato, crucifixus, mortuus, et sepultus; descendit ad inferna; tertia die resurrexit a mortuis; ascendit ad caelos; sedet ad dexteram Dei Patris omnipotentis; inde venturus (est) judicare vivos et mortuos.
Credo in Spiritum Sanctum; sanctam ecclesiam catholicam; sanctorum communionem; remissionem peccatorum; carnis resurrectionem; vitam aeternam. Amen.
Credo dos Apóstolos | Forma Recepta | Português
Creio em Deus Pai onipotente, Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor; o qual foi concebido do Espírito Santo, nascido da virgem Maria; sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu aos infernos; no terceiro dia ressuscitou dos mortos; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai onipotente; de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na santa igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amém.
BIBLIOGRAFIA
HARNACK, Adolf. The Apostles' Creed: a translation from an article in the third edition of Herzog's Realencyclopädie. Tradução de Stewart Means. Revisão e edição de Thomas Bailey Saunders. Londres: Adam and Charles Black, 1901.
CHAFF, Philip. The Creeds of Christendom, with a History and Critical Notes: Volume II: The Greek and Latin Creeds, with Translations. New York: Harper & Brothers, 1877.