Eu sei o motivo que te trouxe até aqui: foi a sua fome e sede por verdade, justiça e profundidade existencial.
Muitos de nós fomos ensinados a carregar o peso de uma religião sem vida, sustentada por regras humanas, culpas inúteis e por uma imagem distorcida de um Deus tirano, punitivo e muito distante. Mas eu não tenho compromisso com a vaidade do mundo, mas sim com o amor incondicional que liberta.
Ao abrir as páginas desta obra, você não encontrará respostas frias e engessadas de um legalismo religioso, mas um eixo, uma base, um centro: um lugar interior aquecido e seguro.
Com base em uma interpretação sólida, segura e profundamente enraizada nas Escrituras Sagradas, prepare-se para uma inesquecível jornada de cura espiritual que lhe revelará:
A Verdadeira Identidade de Deus: Descubra o grande mistério que está oculto em 1 Coríntios 13, que revela o nome do Criador, e compreenda por que Deus não é apenas o Todo-Poderoso que ama.
O Elo Perdido da Reforma Protestante: Entenda a necessidade do Solus Ágape (Somente o Amor) e compreenda por que as cinco solas, quando vazias de amor, são vaidades.
O Dilema entre Livre-arbítrio e Predestinação: Mergulhe no mistério de como a presciência divina atua no mundo de Gênesis a Apocalipse no processo da salvação da humanidade.
A Verdade sobre o Divórcio: Uma visão libertadora e biblicamente fundamentada sobre por que o divórcio e um novo casamento não significam a perda da salvação.
O Temor do Senhor: Compreenda por que "temer ao Senhor" não significa viver com medo d’Ele, ou apenas respeitá-lo, mas se revela em uma prática surpreendente.
O Sentido da Vida: Conheça seis leis universais do Criador e compreenda por que Ele é quem define o sentido da vida.
Para você conhecer a fonte de todos os sentidos existenciais que tanto procura e edificar a sua vida sobre a Rocha, o chamado está feito. Venha! Adquira o seu exemplar e descubra que, quando as certezas humanas desaparecem, uma verdade permanecerá sempre inabalável: O Amor é Soberano.
Kelly
O Amor é Soberano surgiu na minha vida num momento de grande importância. Estava me sentindo só, abandonada e sem importância. Ao ler suas páginas, senti cada vez mais o amor de Deus se mostrando em minha vida. Cada detalhe nos mostra o quanto somos importantes pra Ele, ainda que não mereçamos. Sua bondade nos constrange a cada palavra descrita. Foi um dos maiores aprendizados da minha vida. Gratidão ao autor do livro por nos presentear com tamanha obra.
Leonardo
Li o livro e parecia que eu o tinha escrito. A escolha das palavras e o sentimento depositado pelo autor te puxam para dentro dos textos, fazendo com que você entenda o que ele quer transmitir e, em certos momentos, até mesmo sinta o que ele sentiu!
Sim, tive a oportunidade de conversar diretamente com o autor, e os textos são assuntos para uma vida inteira.
Jéssica
Livro impressionantemente lindo. Forma de escrita profunda, porém de fácil compreensão. Poético, mas teológico. Particularmente, gostei muito do trecho sobre o espelho de Narciso. A abordagem sobre o polêmico tema do divórcio é surpreendente. Leia e ficará chocado, como eu fiquei!
O Autor: Thiago Silva
Sou filho de Deus, poeta e teólogo, sou vaso de barro. Minha caminhada é marcada por um amor apaixonado pela Bíblia Sagrada e pelas línguas originais das Escrituras, hebraico e grego, nas quais busco as raízes mais profundas da verdade.
Desde muito jovem, ao me perceber no mundo, passei a buscar por uma vida que fizesse mais sentido, por uma existência com um propósito maior. Para mim, uma viagem indispensável na vida é a que nos leva para dentro de nossa própria consciência.
E foi nessa busca pelo “conhece-te a ti mesmo”, percebi que a descoberta mais profunda não se encerra com a resposta de “quem sou eu?”, mas na compreensão de “quem é o meu Criador?”.
Compreendi que, quanto mais conheço o EU SOU, mais conheço quem realmente sou. E foi apenas ao conhecer o Criador de forma mais profunda e singular que finalmente compreendi o cerne de nossa existência.
Por essa razão, decidi escrever e compartilhar com você os principais temas que considero relevantes e com real poder de transformação para a sua vida.
Convido você a fazer essa leitura comigo e, assim, viajarmos juntos pelas profundezas da verdadeira personalidade do nosso Criador, para que, então, descubramos quem realmente somos.
Prólogo
O tolo me diz suas razões, o sábio me convence com minhas próprias razões.
Aristóteles
Eu estava em dúvida sobre como escrever às pessoas o que o Criador havia me falado. Tentei escrever em forma de artigo científico, mas não consegui passar do segundo parágrafo. Logo percebi que não levava o menor jeito para escrever de forma científica.
Foi então que tive um sonho. Sonhei que um amigo, que toca trompa há muitos anos, veio até mim e disse:
— Thiago, eu quero tocar clarinete.
Surpreso com tal declaração, perguntei:
— Por que você quer tocar clarinete? Afinal, são, no mínimo, cinco anos estudando um instrumento para atingir um nível satisfatório. Por que mudar de instrumento agora, depois de tantos anos tocando trompa?
Respondeu o meu amigo:
— Você não acha que o clarinete tem um som mais doce?
Acordei e fiquei com essa pergunta em mente, tentando entender o que o Criador queria me ensinar por meio desse sonho. Esse modelo de pergunta retórica, cuja resposta já está implícita, é bem típico do Criador. Ele busca nos convencer com nossas próprias razões
Então, após quinze dias refletindo sobre essa pergunta, veio-me à memória o versículo de Provérbios 16:21, que afirma: “A doçura no falar aumenta o saber”. Esse versículo me fez perceber a minha dificuldade em escrever de forma científica e que escrever de forma leve e poética era o que o Criador queria de mim, e foi para isso que Ele me capacitou. Nesse mesmo dia, escrevi cerca de quinze textos poéticos que estavam “borbulhando” dentro de mim.
Percebi também que é falsa a ideia de que Jesus ensinava com palavras duras. Jesus foi rude apenas em casos extremos. De modo geral, Ele ensinava de forma mansa e com autoridade. Não é sem razão que o coração do Antigo Testamento é formado por cinco livros poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. A linguagem poética é o “filé mignon” da literatura.
E foi assim que este livro, “O Amor é Soberano”, foi tomando forma ao longo de quatro anos de escrita. Procurei encontrar palavras agradáveis e escrevê-las com retidão, palavras de verdade.[1]
Este livro é composto por poemas, prosas e artigos pessoais. Ele é uma resposta ao sentido da vida e uma exposição profunda do amor ágape. Levarei você a meditar em “águas muito profundas” e oferecerei um novo olhar sobre algumas das passagens mais populares da Bíblia Sagrada acerca do amor incondicional, dos mistérios da fé, da esperança e, sobretudo, da sua própria relação com o Criador.
Com uma linguagem poética, leve e acessível, abrirei a porta para o seu autoconhecimento, desvelarei a verdadeira identidade do Criador e suas principais leis universais e imutáveis, mostrarei também o caminho entre você e a sua salvação e os segredos de uma vida em plenitude, e, assim, o deixarei mais próximo de Cristo Jesus.
O que recebi do Criador, isso entregarei: em nome de Jesus, conheça o Amor.
Referência
[1] Eclesiastes 12:10 (Nova Almeida Atualizada).
Olha pra mim
Os olhos dizem o que não conseguimos dizer de outro jeito. Os olhares são mais profundos que as palavras. Dizem, em silêncio, o “eu te amo” mais musical de se escutar.
Os olhos são tão sinceros que revelam até a tristeza que os lábios tentam esconder. Eles procuram, do lado de fora, aquilo de que o coração ansiosamente quer se alimentar.
Eles brilham, olhando para o infinito, quando o infinito é compreendido do lado de dentro do peito. Talvez, por isso, o homem permaneça inquieto e insatisfeito, esperando o dia em que olhará nos olhos do Criador.
Talvez, por isso, nossa alma clame, dizendo:
— Senhor, olha pra mim com favor, ensina-me teus decretos. Olha pra mim, Senhor. Ilumina os meus olhos; do contrário, dormirei o sono da morte.[1]
O Senhor olha dos céus para toda a humanidade, para ver se alguém é sábio, para ver se há alguém que busca a Deus.[2]
O Senhor olha dos céus para todas as pessoas, para ver se há alguém que entenda, para ver se há alguém que deseja Deus.
Referências
[1] Salmo 119:135 | Salmo 13:3
[2] Salmo 14:2 | Salmo 53:2
Ouça os olhares
Antes das palavras,
já é possível
ver no olhar
se é violência
ou mansidão,
se é orgulho
ou humildade,
se é amor
ou vaidade.
Ouça os olhares;
eles costumam
dizer bem mais
do que as palavras.
Ouça os olhares;
eles revelam, sem erro,
o âmago da alma.
Ouça os olhares.[1]
Referências
[1] Mateus 6:22-23 | Lucas 11:34-36.
Olhe para fora
Olhe para fora,
olhe para o Sol,
contemple o poder de Deus.
Olhe para fora,
olhe para a Lua,
contemple a beleza de Deus.
Olhe para fora,
olhe para o outro,
veja a coroa da criação de Deus.
Abraão, olhe para fora,
saia de sua tenda,
olhe para os céus,
conte as estrelas,
se é que pode contá-las,
assim será a sua família.
Olhe para fora
tire os olhos do espelho,
tire os olhos de si mesmo,
olhe para o outro,
olhe para fora.[1]
Referência
[1] Este poema foi inspirado em versos sem título de Charlie Chaplin.
O espelho de Narciso
“Narciso acha feio o que não é espelho.”[1]
O tamanho das pessoas
varia conforme o que almejo conquistar.
Se a pessoa se interessa por mim, é grande,
mas pequena quando desvia o assunto.
É grande ao me compreender,
mas pequena ao discordar.
A pessoa é grande
quando atende às minhas expectativas,
mas pequena diante das frustrações.
Se me estende a mão, é grande,
mas pequena se não pode me ajudar.
As pessoas
se agigantam ou se encolhem
conforme o que eu quero utilizar.
“Narciso acha feio o que não é espelho.”
Deus tem muitos nomes;
Narciso não é um deles.[2]
Referências
[1] Frase da canção “Sampa”, escrita por Caetano Veloso e Gilberto Gil. (Poema inspirado no mito de Narciso).
[2] (FRANKL, 2018).
Face a face com o Criador
E tudo o que pedirem em oração, crendo, recebereis.
Mateus 21:22.
Nascido e criado em um lar cristão, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, no ano de 2003, eu tinha 16 anos de idade quando, em uma manhã, pouco antes de acordar, tive um sonho. Sonhei que estava em meu quarto, dormindo, deitado em minha cama, de bruços e meio virado para a direita, para o lado da parede. Senti uma mão tocando em minha nuca; a mão era quente e macia, com um toque muito agradável. Enquanto essa mão me tocava, uma voz, em tom suave, me chamou:
— Thiago...
Dentro do sonho, acordei. Ainda deitado, virei para a esquerda e olhei para ver quem era... Era Deus, com a aparência da minha mãe. “Ela” tinha se curvado até mim, como quem queria falar algo mais de perto e, sorrindo, com voz suave, disse:
— Meu filho, você não acha que está na hora de ter um compromisso comigo?
E, antes que eu lhe respondesse, “ela” se ergueu, ainda me olhando, ainda sorrindo, deu as costas e saiu caminhando para fora do meu quarto. Enquanto "ela" saía, eu pensava: “Por que eu? Sou apenas um anônimo! Sou uma pessoa insignificante! O que Deus quer comigo?” “Ela” sumiu completamente, e eu acordei desse sonho, mas os pensamentos que permaneciam em minha mente eram: “Por que eu...?” Não faz sentido Deus escolher a mim!
No momento do sonho, tive uma forte sensação de que minha mãe era o próprio Deus em meu sonho. E, à medida que o tempo foi passando após esse sonho, mais tive certeza de que "ela" realmente era o próprio Deus.
Minha mãe sempre foi uma pessoa muito presente na igreja, diferente do meu pai, que sempre deu mais valor ao trabalho. Por isso, essa escolha divina pela figura materna em meu sonho soou, para mim, como uma expressão de cuidado, fé constante e presença eclesial; uma linguagem divina que me convidava a uma aproximação afetuosa.
Inicialmente, interpretei a frase “ter um compromisso comigo” como um chamado para ser uma pessoa ainda mais presente na igreja, assim como minha mãe era.
Abre parênteses. Durante a minha vida, nos anos posteriores, Deus voltou a aparecer para mim em sonhos diversas vezes: duas vezes como amigo, uma vez como meu pai, uma vez como um tigre, uma vez como meu primeiro maestro, duas vezes como anjo de luz e inúmeras vezes apenas em voz. Ora propondo enigmas, ora fazendo perguntas retóricas, ora entregando presentes, ora entregando escritos. Posso dizer que minha vida foi profundamente marcada pelas manifestações do Divino, e é por isso que estou convencido de que ela, minha mãe, era o próprio Deus em meu sonho. Ele é profundamente pedagógico quando deseja ensinar algo. A forma que Ele escolhe para se manifestar em sonho já contém metade da interpretação do próprio sonho. Fecha parênteses.
Fique comigo até o fim deste livro, e você entenderá melhor o que quero dizer. Não vou narrar todas as minhas experiências, mas apenas as mais relevantes, pois o propósito é que, por meio delas, você possa se conectar ainda mais com Jesus.
Ainda com 16 anos, esforcei-me para ser um pouco mais presente na igreja. Os dias foram se passando, e senti algo impulsionar o meu coração a ler toda a Bíblia Sagrada. A ideia era começar em Gênesis e terminar em Apocalipse. Então, assim foi: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Entretanto, algo me chamou a atenção. Percebi que, de Êxodo a Deuteronômio, havia uma expressão que me intrigava. Era ela: “Deus falava com Moisés face a face.”
Essa expressão mexeu muito comigo desde a primeira vez em que a li em Êxodo. Quando cheguei a Deuteronômio, já não aguentava mais; já estava indignado e perguntava-me diariamente: “Moisés é um homem comum? Se ele é um homem comum e Deus falou com ele face a face, por que não falaria comigo também? Por acaso Deus faz acepção de pessoas?”
Eu me perguntava isso todos os dias, constantemente. Então, depois de ler o Pentateuco, coloquei em meu coração que iria orar todos os dias até o dia em que Deus aparecesse para mim face a face; caso contrário, não leria mais a Bíblia. Ousada adolescência.
Você pode se perguntar: “Mas não está escrito em 1 João 4:12 que ninguém jamais viu a Deus?” Compreendo, com minha limitação, que essa passagem nos diz que ninguém viu a glória total de Deus, nem mesmo Moisés. Porém, Deus se manifestou a vários homens e de várias formas, e ainda hoje se manifesta.
Minha oração diária era simples:
— Deus, perdoe meus pecados; cobre-me com o sangue do teu Filho Jesus; eu quero te ver!
Dessa forma, eu orava todos os dias. Meu sentimento era de nunca parar de orar, independentemente do que acontecesse. Não contei a ninguém sobre esse meu propósito: nem aos meus pais, nem aos meus amigos ou pastores. Era uma coisa entre mim e Deus. E, depois de fazer essa oração todos os dias, durante três meses, quem apareceu primeiro foi um demônio.
No ano de 2004, já com 17 anos, eu chegava em casa por volta das 11h30, após um curso de mecânica de automóveis que eu frequentava diariamente, das 7h às 11h. Almoçava e, como de costume, tirava uma soneca para, então, voltar a estudar trompete à tarde e, à noite, ir estudar o meu último ano do ensino médio.
Nesse sono da tarde, entre 12h e 14h, quando eu descansava para recuperar as forças, um demônio se manifestou várias vezes. Eu perdi até as contas. Eu diria que esse demônio se manifestou o suficiente para que eu soubesse que não era apenas coisa da minha imaginação.
Era muito real e sempre da mesma forma. Eu me deitava às 12h e, ainda de olhos abertos, com o dia claro, poucos minutos depois de me deitar, sentia um ser invisível abraçando-me por trás com muita força, como se quisesse me esmagar. Se eu tentasse reagir com minha força, ele me vencia. Aprendi na prática que o demônio tem o poder para tocar em nosso corpo, mas não tem o poder para controlar todos os nossos pensamentos. Por isso, minha única chance de vencê-lo era dizer em pensamento: “Sangue de Jesus tem poder”. E, ao dizer essas palavras, mesmo em pensamento, o demônio ia embora naquele dia, pois ele também não me deixava abrir a boca para dizer essas palavras com os lábios.
Mesmo ainda jovem e inexperiente, eu já tinha conhecimento suficiente para saber que aquelas mãos eram de um demônio. (Para quem não é familiarizado com o cristianismo evangélico, a expressão “Sangue de Jesus tem poder” invoca a crença no poder do sacrifício de Jesus Cristo e na proteção que Ele oferece contra as forças do mal.)
Mas continuei firme em meu propósito. Minha oração diária continuava normalmente:
— Deus, perdoe meus pecados; cobre-me com o sangue do teu Filho Jesus; eu quero te ver!
Depois de fazer essa oração todos os dias, durante um ano, Deus apareceu para mim.
Cheguei em casa por volta das 11h30min, após o curso de mecânica, almocei e fui descansar. Era meio-dia quando me deitei. O dia estava ensolarado, tudo normal. Cerca de 15 minutos depois de me deitar, senti algo, como se fosse uma espécie de espada "perfurando" toda a minha coluna vertebral, de cima a baixo. Não senti dor, mas fiquei completamente paralisado. Eu não respirava; todavia, não sentia a agonia da falta de ar. Perdi todos os movimentos do corpo. Consegui apenas abrir os olhos e vi que o dia estava todo preto e branco. Um homem de pura luz estava parado, em pé, na porta do meu quarto; lá ele permaneceu por cerca de 15 segundos. Tentei encará-lo, porém não foi possível: era muita luz. Contudo, deu para ver que Ele tinha o formato de um homem normal: duas pernas, dois braços, tronco, pescoço e cabeça.
Meu corpo permanecia totalmente inerte e paralisado. Foi então que aquele homem de pura luz, com certa ironia, levou a mão até o interruptor de luz e, quando Ele o apertou, em fração de segundos, o dia foi voltando à sua cor, de baixo para cima. À medida que a cor do dia voltava, Ele ia sumindo... até que a cor do dia voltou ao normal, Ele sumiu por completo, o objeto “perfurante” que estava em minha coluna foi retirado e, em seguida, meu corpo foi destravado.
Voltei a respirar e saltei da cama, todo feliz, dando pulos de alegria por toda a casa, pois sabia, em meu íntimo, que tinha visto a Deus. Eu queria muito vê-lo, mas, em parte, senti que Ele também queria ser visto. Depois desse dia, não me lembro de ter tido crise de fé quanto à existência de Deus.
Eu sei o que vi e sei que Ele sabe que foi visto. Minha crise foi querer fazer as coisas do meu próprio jeito. Por um tempo, confiei em meus talentos e em minha inteligência. Mesmo acreditando em Deus, pensei que Ele não se importasse tanto comigo e que eu poderia trilhar um caminho segundo a minha própria vontade.
Essa experiência com o Criador tornou-se um marco em minha vida, uma referência, um balizador para todas as minhas ações, especialmente nos momentos mais sombrios e nas maiores crises. Sei, com o coração convicto, que um dia prestarei contas ao Criador de cada ato, de cada escolha, seja ela boa ou má. E, ainda que digam que tudo não passou de um sonho ou de uma paralisia do sono, eu sei que foi real. Absolutamente real.
Creio que chegará o dia em que, já em corpo de glória, me encontrarei face a face com o Criador e poderei olhar em seus olhos, ver o seu rosto e sentir, de forma plena e eterna, a sua presença.
Durante muitos anos, pensei que fosse algo comum o fato de Deus se revelar às pessoas. Mas, com o passar do tempo, percebi que não era bem assim. Por isso, aqui estou, compartilhando a minha experiência. Espero que este testemunho possa, de alguma forma, fortalecer a sua fé e despertar em você a vontade de ouvi-lo, senti-lo e tocá-lo.
Quando estou em uma escola dominical ou em alguma reunião entre cristãos, para conversar sobre as Escrituras, percebo que muitos ainda possuem dúvidas a respeito da forma de Deus, pois a afirmação isolada de João 4:24, de que “Deus é Espírito”, deixa muito amplas as possibilidades das formas d’Ele.
Compreendi, por meio de minha experiência e de muitos anos de estudo teológico, que Deus é uma Pessoa. Ele poderia manifestar-se à sua criação de infinitas maneiras, mas a forma de Homem foi a que Ele escolheu para transmitir a sua imagem.
A forma de Homem é repleta de significados eternos sobre a personalidade do Criador e de seus propósitos. Compreendi também que a Trindade é formada por três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo, e que juntas formam um só governo em total harmonia, e que todos os três atendem pelo nome de Deus.
Existem alguns versículos na Bíblia Sagrada que são ditos muitas vezes em diversas igrejas e por várias pessoas no dia a dia, versículos que carregam verdades profundas, que podem até parecer simples, mas que trazem em si a essência de toda a Escritura.
Quero aproveitar este momento e lembrá-lo desses versículos; peço que os leia com calma e permaneça refletindo neles por alguns momentos.
Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus. (Isaías 45:5)
Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o dominador de tudo. (Apocalipse 1:8)
Assim como os céus se elevam acima da terra, assim também os meus caminhos se elevam acima dos seus caminhos e os meus pensamentos se elavam acima dos seus pensamentos. (Isaías 55:9)
Entrega o teu caminho ao Senhor, confia n’Ele, e Ele agirá. (Salmos 37:5)
Confie no Senhor com todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento. Em todos os teus caminhos, conhece-o, e Ele endireitará as tuas veredas. (Provérbios 3:5-6)
Lança o teu fardo sobre o Senhor, e Ele te sustentará; jamais permitirá que o justo seja abalado. (Salmos 55:22)
Entrega ao Senhor as tuas obras, e os teus planos serão sustentados. (Provérbios 16:3)
Lance toda a sua ansiedade sobre o Senhor, porque Ele cuida de você. (1 Pedro 5:7)
Busquem acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas. (Mateus6:33) “Estas coisas” são tudo aquilo que sustenta a vida diária: comida, bebida, vestes, sustento, provisão material.
Assim, depois de compreender que os caminhos do Senhor são mais altos do que os nossos, que seus pensamentos ultrapassam tudo o que podemos imaginar, resta apenas uma resposta possível: render-se a Ele.
Não há segurança fora d’Ele, não há direção verdadeira longe da sua voz, não há vida plena sem a sua presença. Por isso, hoje, eu te convido a entregar a sua vida a esse Deus. Não como quem impõe, mas como quem o encontrou.
Àquele que declarou: “Eu sou o Senhor, e não há outro.” Ele é o Criador dos céus e da terra, o único que tem poder de chamar à existência aquilo que ainda não existe, de criar tudo a partir do nada.
Não há outro Deus além d’Ele. Não há outro refúgio. Não há outro que o sustente, que o guie, que o salve. Não endureça o seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor, confie n’Ele. Permita que Ele conduza seus passos, seus sonhos e toda a sua história.
O meu desejo é que você também possa ter o seu encontro face a face com o Criador.
À espera de um Rabi
Amor é desejo de presença.
Clóvis Barros
Eu era um cego à beira do caminho. Ouvindo tantas vozes, sentindo tantos cheiros, mas sem poder caminhar com segurança. Dia após dia eu clamava, silenciosamente, em meu coração, dizendo: “Rabi, Deus de Davi, misericórdias tens de mim?[1] Rabi, Raiz de Davi, misericórdias tens de mim”?[2]
Até que um dia, quase sem esperança, Jesus passou por mim e perguntou-me:
— Filho de Timeu, por que clamas por minha graça? O que queres que eu te faça?
Respondi:
— Rabi, eu quero ver!
Replicou Jesus:
— Para que você quer ver?
Respirei fundo, deixei que meus lábios falassem as palavras do meu coração:
— Rabi, cansado estou da solidão, quero também a sua comunhão. Estou cansado de viver sozinho. Deixa-me Te ver, Caminho. Em Tua escola podes me incluir? Tu sabes, o meu maior desejo é Te seguir!
E Jesus, em sua soberana humildade,[3] fixou em mim o seu olhar e, com afeto, disse:
— Grande é tua percepção, abra os olhos, meu irmão.
Então, imediatamente, passei a enxergar. Logo segui a Jesus, glorificando a Deus. E meus amigos, vendo isso, deram louvores a Deus.[4]
Referências
[1] Marcos 12:35-40 | Salmos 110:1 (Deus de Davi).
[2] Apocalipse 5:5 | Apocalipse 22:16 (Raiz de Davi).
[3] Mateus 11:29 | Filipenses 2:5-8.
[4] Esse texto é uma paráfrase de Lucas 18:35-43: a cura do cego de Jericó.
Bem-aventurados
Bem-aventurados os que não viram, mas creram em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, pois já passaram da morte para a vida.[1]
Bem-aventurados os órfãos, de pais vivos ou de pais mortos, porque eles terão a Deus como Pai.[2]
Bem-aventurados os que fazem o bem, mesmo recebendo dos homens o mal como pagamento, porque o Senhor os recompensará.[3]
Bem-aventurados os que reconhecem as suas fraquezas, porque o Senhor os fortalecerá.[4]
Bem-aventurados os que passam pelo fundo do poço por causa dos sonhos de Deus, porque, por meio deles, Deus alimentará a muitos.[5]
Bem-aventurados os que choram, porque o Consolador enxugará as suas lágrimas.[6]
Bem-aventurados os que buscam pela sabedoria divina como quem busca por tesouros escondidos, porque receberão dádivas que o dinheiro não pode comprar.[7]
Bem-aventurados os que se calam, porque eles conhecerão o som da voz eterna.
Refer1ências
[1] João 5:24 | João 3:14-18.
[2] Salmos 68:5 | Provérbios 23:10-11 | Salmos 146:9.
[3] Provérbios 25:21-22 | Romanos 12:20.
[4] 2 Coríntios 12:10 | Filipenses 4:11-13.
[5] Gênesis 37:19-24.
[6] Mateus 5:4.
[7] Cânticos 8:7.
Compreender
Compreendi os que trilhavam o caminho da indignação, a fim de apresentar-lhes o caminho da gratidão.
Compreendi os religiosos, prisioneiros das regras, para revelar-lhes a liberdade que há em Cristo.
Compreendi os avessos às regras, para revelar-lhes a Lei do Criador que é perfeita e restaura a alma.[1]
Compreendi que a lei sem amor endurece e aprisiona o coração; o Espírito de Deus, porém, faz da lei uma fonte de vida em nós.
É bom receber, mas é melhor doar.[2]
É bom ser consolado, mas é melhor consolar.
É bom ser compreendido, mas é melhor compreender.
Referências
[1] 1 Coríntios 9:21 | Salmos 19:7
[2] Atos 20:35.
Liberdade
Liberdade é tudo aquilo que você faz sem prejudicar os outros nem a si mesmo.
Se procurar por liberdade, não encontrará conforto. Se procurar pela verdade, encontrará descanso. Se procurar por liberdade, encontrará escravidão. Se procurar pela verdade, encontrará um fardo leve.[1] Se procurar por liberdade, não encontrará liberdade. Se procurar pela verdade, encontrará a liberdade.
Quando a mentira te domina, ela te aprisiona. Quando a verdade te domina, ela te liberta. A verdade que não pode ser ancorada no amor incondicional não é uma verdade, é apenas uma vaidade.[2]
A verdade liberta quem quer ser liberto. Ande com os livres e serás livre.[3] Ande com os verdadeiros e serás verdadeiro. A liberdade é a consequência de um relacionamento íntimo e diário com a verdade.[4] Se você optar pela verdade, por mais absurdo que isso seja ao raciocínio humano, encontrará um caminho de paz.[5]
Todo caminho é ideológico, mas é o caminho da verdade que te faz livre.
Referências
[1] Mateus 11:28 | Jeremias 6:16 | Mateus 11:30 | 1 João 5:3.
[2] 1 Coríntios 13 | 1 João 4:18.
[3] Provérbios 13:20.
[4] João 8:32.
[5] João 14:27.
Crer ou não crer
A simplicidade é o resultado da extrema complexidade.
Rubens Cordeiro
Os gregos buscam sabedoria. Os judeus esperam um sinal.[1] Os ateus buscam uma prova lógica. Os religiosos esperam ver milagres. Todos esses possuem grande fé: acreditam que serão plenos se possuírem o que lhes falta. Insensatez.
Grande diferença há entre ouvir falar do oceano e ver o oceano. Grande diferença há entre estudar sobre o oceano e navegar no oceano. Há um abismo que separa os que ouvem falar sobre Deus daqueles que conseguem ver a Deus. Esse abismo que separa o ver ou não ver, o crer ou não crer, chama-se: desamparo em meio à mais profunda dor.[2]
Diga em meio ao desamparo: “A Ti entrego o meu espírito;[3] vim nu, e nu voltarei;[4] do pó eu vim, e ao pó retornarei”.[5] Então tu dirás: “Antes, eu te conhecia de ouvir falar, mas agora, eu vejo o infinito; agora, meus olhos te veem”.[6]
Referências
[1] 1 Coríntios 1:22 | Mateus 12:38 | Atos 17:18-32.
[2] Mateus 27:46 | Salmos 22:1.
[3] Lucas 23:46 (Almeida Corrigida Fiel) | Salmos 31:5.
[4] Jó 1:21.
[5] Eclesiastes 12:7 | Jó 10:9.
[6] Jó 42:5 - paráfrase (Nova Almeida Atualizada).
Um sonho do Eterno
Eu não mereço desatar as suas sandálias.
João Batista - João 1:27
Em uma noite, deitado em minha cama, de olhos fechados, preparando-me para dormir, em visão, o céu se abriu e eu vi cerca de cinco estrelas grandes no céu; elas tinham aproximadamente o tamanho de uma lua cheia. Nunca tinha visto nada parecido. Ao norte havia uma estrela que estava se mexendo, olhei para ver mais detalhes e percebi que dessa estrela saía uma espécie de capa que tremulava no universo, e dela saía um brilho que percorria todo o céu, e vinha até o meu peito e me dava uma sensação de estar em um corpo transformado, totalmente sem dor, pura alegria, um incrível bem-estar e uma sensação imensa de amor incondicional. Foi como se toda dor que eu senti na Terra nunca tivesse acontecido. Em questão de trinta segundos, era como se eu nunca tivesse sofrido na vida.
Então, olhei de novo para essa estrela, para entender um pouco mais sobre esse brilho, foi quando vi a lateral de um Homem, totalmente de luz, sentado em um trono e uma coroa em sua cabeça; ao avistá-lo, exclamei em alta voz: “É DEUS”! A visão terminou de imediato, e eu voltei a ver o teto do meu quarto.
Não consigo descrevê-lo em detalhes. Posso dizer apenas que nunca vi nada tão lindo em toda a minha vida. Eu não imaginava que era tão lindo assim. Ele é lindo, muitíssimo lindo. Naquela noite, entendi o porquê de o apóstolo Paulo utilizar a palavra glória, pois não há palavras que possam descrevê-lo.
Ele é glória, muitíssima glória...[1] A sensação ao vê-lo foi a de querer ir embora da Terra para sempre e nunca mais viver no corpo em que atualmente habito. Naquela noite, entendi o porquê de no Dia do juízo todo joelho se dobrar e toda língua confessar que Ele é Senhor sobre todos,[2] pois contra Ele não há conselhos,[3] contra Ele não há acusações. Ele é puro, sublime e santíssimo. Ele nunca conheceu o pecado. Toda palavra que existe na Terra é pouca para falar sobre a beleza de sua santidade.
Essa experiência me convenceu ainda mais de que os sofrimentos desta vida não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.[4] As nossas aflições, leves e passageiras, estão produzindo para nós uma glória incomparável, de valor eterno.[5] De nada mais faço questão, já não tenho minha vida por preciosa, desde que eu cumpra com alegria a missão de anunciar o Evangelho do amor incondicional.[6]
Durante anos, não entendia o porquê de sofrer tanto pelo Evangelho. Sofri até entender que “Deus nunca irá usar alguém poderosamente sem antes feri-lo profundamente”.[7] Porque o vaso que não suporta a escassez não suporta a abundância. O vaso que não suporta os últimos lugares não suporta os primeiros. O vaso que não suporta a desonra não suporta a honra, mas em Cristo podemos suportar todas essas coisas, e n’Ele reconhecemos que o dom da vida está acima do nosso sofrimento,[8] e que toda a nossa vitória vem d’Ele, porque sem Ele nada podemos fazer.[9]
Aprendi a não buscar por sonhos que estejam apontados para o túmulo, os que se encerram na sepultura, mas sim os que estejam apontados para a eternidade. Acredito que temos uma grande chance de sermos pessoas realmente relevantes neste mundo, essa relevância acontece quando assumimos a nossa singular irrelevância diante do Eterno.[10] Aquele que reconhece a irrelevância de seus sonhos pessoais está pronto para os relevantes sonhos do Eterno.
Se tu tens um sonho capaz de sobreviver ao fundo do poço, tens de fato um sonho verdadeiro, tens de fato um sonho do Eterno.[11] Seja grato a Deus em todas as circunstâncias, porque essa é a vontade de Deus para nós.[12] Os ingratos tornam-se tolos; suas mentes ficam obscuras e confusas.[13]
Treine seus olhos a olharem para as estrelas. São nas noites mais escuras que elas dão os melhores espetáculos.[14]
Referências
[1] O fato ocorreu em maio de 2022.
[2] Isaías 45:23 | Romanos 14:11 | Filipenses 2:10-11.
[3] Provérbios 21:30 (Almeida Corrigida Fiel).
[4] Romanos 8:18 (Nova Versão Internacional).
[5] 2 Coríntios 4:17 (Nova Tradução Linguagem de Hoje).
[6] Atos 20:24 (Almeida Corrigida Fiel).
[7] Missionário Alex Silva (não publicado).
[8] Filipenses 4:11-13.
[9] João 15:5 | 2 Coríntios 3:5.
[10] Mateus 10:39 | 16:25 | Marcos 8:35 | Lucas 9:24 | João 12:25.
[11] Gênesis 37:19-24.
[12] 1 Tessalonicenses 5:18 (Almeida Corrigida Fiel) | Efésios 5:20 | Sl 50:14 | 92:1.
[13] Romanos 1:21-22 (Nova Tradução Linguagem de Hoje | Nova Versão Transformadora).
[14] Atos 16:23-26.
Oração do Sábio
Deus é amigo do silêncio. Olhe para a natureza: as árvores, as flores e a grama crescem em silêncio. Olhe para os céus: o sol, a lua e as estrelas se movem em silêncio.
O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus nos diz e o que Ele diz aos outros por intermédio de nós. No silêncio, Ele nos ouve. No silêncio, Ele fala à nossa alma. No silêncio, nos é concedido o privilégio de ouvir Sua voz.[1]
Se você tem o desejo de ouvir a voz de Deus, meu conselho é: entra em teu quarto, fecha a porta, dobra os joelhos e fica em silêncio. “Fecha os olhos, fecha os lábios e abre o teu coração.” Silencia tuas palavras, porque Deus está nos Céus e tu na Terra, por isso, sejam poucas as tuas palavras. Prostra-te. Renda-se. Deus contempla o teu silêncio![2]
De todos os seres do universo, somente o Criador é capaz de ler os seus pensamentos e sentimentos mais profundos, aqueles que nem mesmo ousas revelar. O pensamento é a sagrada liberdade humana, um altar particular.[3]
O Criador criou você, e Ele escuta até as suas palavras mais íntimas, antes mesmo que você as pronuncie com seus lábios, e Ele sabe todos os seus desejos antes mesmo que você peça qualquer coisa. Ele conhece todos os segredos do seu ser.
Ninguém consegue despertar o Criador apenas com palavras vazias, pois palavras sem amor não são capazes de alcançar o favor de Deus, e Ele só inclina os seus ouvidos ao que é verdadeiro.
Nenhuma oração vazia, até mesmo a feita em momento marcado ou em lugar sagrado, mesmo que repetida mil vezes, poderá enganá-lo ou forçá-lo a agir em favor de alguém. Não existe palavra mágica capaz de manipular ou iludir o Criador, pois Ele sonda o íntimo e as intenções mais profundas do coração humano.
Aquele, porém, que deseja ser ouvido pelo Criador deve cultivar um coração humilde, quebrantado, contrito e sincero e, dessa forma, se tornará mais íntimo do Altíssimo.
Você é livre para orar a Deus de qualquer forma. É correto afirmar que Deus ouve todo tipo de oração sincera, e há tempo para todo tipo de oração. Há tempo para a oração de louvor e de alegria. Há tempo para a oração de clamor desesperado de quem chora em alta voz. Há tempo para a oração em forma de sussurros de quem já não tem forças para falar.
Há, porém, tempo em que tuas próprias forças se esgotam e já não sabes o que orar; então, deixa que o teu silêncio se torne a tua intercessão, e perceberás que a oração do sábio é o som submisso do silêncio.
O Espírito Santo nos ajuda juntamente em nossa fraqueza, pois não sabemos orar como convém; mas o próprio Espírito Santo intercede sobremaneira por nós com gemidos inexprimíveis. E Aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito Santo, porque é segundo Deus que Ele intercede pelos santos.[4]
Diante dos maiores dilemas e das maiores dores de sua vida, ore ao Criador no silêncio do pensamento, para que, quando Ele responder, haja em seu íntimo a certeza de sua presença e de seu cuidado. É na ausência de palavras que a nossa finitude humana melhor repousa na infinitude do Criador. Aquele que não pode ser contido nem mesmo pelo céu dos céus, cuja onipresença não conhece limites físicos, escolhe fazer de ti o seu próprio templo.
A oração não muda a natureza de Deus; ela muda a nossa natureza. Ela serve para alinhar a nossa vontade à vontade perfeita de Deus. Por consequência desse alinhamento, aquele que aprende a permanecer e a descansar em Deus verá que Ele concede o que o nosso coração deseja em amor incondicional.[5]
Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos concederá, juntamente com Ele, gratuitamente, todas as demais coisas?[6]
Todavia, a prática intencional do pecado, a iniquidade e a desobediência são grandes obstáculos que impedem que as orações sejam respondidas. A pessoa rebelde, que se desvia de ouvir a Lei de Deus, até a sua tentativa de aproximação em oração a será vista por Ele como ofensa. A desarmonia e a falta de honra no ambiente familiar e conjugal também atuam como obstáculos espirituais e fazem com que as orações sejam interrompidas.[7]
Há um segredo revelado na Carta do apóstolo Tiago que desvenda um dos principais motivos que impedem a Deus de responder a algumas orações:
Vocês pedem e não recebem, porque pedem maliciosamente; pedem para esbanjarem em seus próprios desejos.[8]
Quando alguém ora ao Criador apenas para obter um favor, Deus deixa de ser o destino de sua jornada e torna-se um instrumento de seus próprios desejos. Nesse instante, a pessoa deixa de reconhecê-lo como Deus, Pai e Amigo e o reduz apenas a um ídolo, um objeto a seu serviço, moldado por suas carências e por seus próprios interesses.
Em resumo, muitas orações não são respondidas por Deus porque são para satisfazer as paixões e prazeres carnais, que apenas conduzem o ser humano a um ciclo vicioso de autodestruição.
A oração exige um relacionamento sincero, consolidado na certeza de que Deus escuta os que são tementes a Ele e fazem a sua vontade. A pureza de intenção no íntimo do coração é, portanto, fundamental para a resposta divina.[9]
Por fim, há uma verdade central por trás dos desejos que Deus realiza: Deus realiza os desejos que procedem do amor incondicional. Esses tipos de desejos não são, de maneira nenhuma, motivados por vanglória, egoísmo, inveja, vaidade, soberba ou similares. Desejos dessa natureza jamais serão realizados pelo Criador, uma vez que tais motivações são inimigas do amor.[10]
O desejo que procede do amor incondicional é motivado pela busca do bem comum, pelo que é bom para todos e nunca apenas para si mesmo. Ele é motivado também pela busca da justiça, do equilíbrio, da equidade e da revelação de Cristo a todas as pessoas da face da terra.
O amor ama a misericórdia, a pureza e a santidade; ele reflete, em quem o possui, o próprio caráter de Deus. É no amor compartilhado que o Criador do universo é glorificado.
Referências
[1] (TERESA, 2017)
[2] J. M. Vianney. (TERESA, 2017, p. 20) | Eclesiastes 5:2 | Mateus 6:7.
[3] Salmos 139:1-2 | 1 Crônicas 28:9 | Ezequiel 11:5
[4] Romanos 8:26-27
[5] João 15:7-8 | Marcos 11:24 | João 14:13 | João 16:23.
[6] Romanos 8:32 (King James Atualizada) | João 3:16.
[7] Isaías 59:2 | Provérbios 29:9 | Pedro 3:7
[8] Tiago 4:3
[9] João 9:31 | Salmos 66:18
[10] Tiago 4:1-4 | Salmos 66:18 | 1 João 5:14.
Oração de cura e restauração
Deus não poderia inspirar em mim desejos irrealizáveis.
Teresa de Lisieux
Ore assim ao Criador:
— Pai, eu te adoro, pois somente o Senhor é a minha Rocha e a minha fortaleza. Em ti não serei abalado. A minha alma espera somente no Senhor, pois de ti vem a minha salvação.
Eu te agradeço, Pai, porque sei que o Senhor me vê enquanto oro, os teus olhos estão sobre mim e os teus ouvidos estão abertos a ouvir o meu clamor.[1]
Reconheço a obra de Cristo Jesus, e creio que Ele levou sobre si as minhas dores e enfermidades. Reconheço que Ele foi ferido por causa das minhas transgressões e moído por causa das minhas iniquidades. O castigo que me traz a paz esteve sobre Ele, e, pelas suas feridas, eu sou sarado.
Cura-me, Senhor, e serei curado. Salva-me e serei salvo. Pois tu és aquele a quem louvo e adoro. Purifica-me de minha impureza, e ficarei limpo. Lava-me, e serei mais branco que a neve.[2]
Restaura-me, ó Deus, perito em guerra. Que a luz do teu rosto brilhe sobre mim, e então serei restaurado.[3]
Não sou capaz de dizer: “Purifiquei eu mesmo o meu coração, limpo estou do meu pecado.”[4]
Nenhum desejo desse mundo poderá trazer paz em meu coração. Peço que faça morada permanente em mim, Senhor, e assim a minha alma encontrará descanso.
Quero oferecer-te um sacrifício que te agrada: um espírito humilde, um coração quebrantado e contrito.[5]
Assim como o Senhor criou os céus e a terra, peço que crie em mim um coração puro e renove dentro de mim um espírito inabalável. Coloque em mim a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.[6]
Vê se há em mim algum caminho mal e livra-me, guia-me pelo caminho eterno. Estabeleça dentro de mim o teu Espírito Santo, que eu tenha força para cumprir a tua Lei.
Eu oro em nome de Cristo Jesus, amém.
Comentário
O livro dos Salmos é um livro de canções e orações. As canções podem ser oradas, e as orações podem ser cantadas. Escolha um salmo ou um capítulo da Bíblia de que você mais gosta e, se possível, ore-o ou cante-o todos os dias, até que a verdade que há nele se manifeste em sua vida.
Faça esta oração todos os dias, até sentir-se totalmente curado e restaurado. Depois, continue fazendo esta oração para permanecer curado e restaurado, lembrando-se sempre de quem você é e de quem Deus é em sua vida.
A nossa vida é a soma das nossas palavras, sejam elas as que escutamos ou as que falamos.
Referências
[1] Mateus 6:6 | Salmos 34:15 | 1 Pedro 3:12
[2] Salmos 51:7
[3] Salmos 80:19
[4] Provérbios 20:9
[5] Salmos 51:17
[6] Salmos 51:12
Oração do Pai nosso
Portanto, vocês devem orar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores. Não nos deixes ser conduzidos para a tentação, mas livra-nos do maligno. Amém.[1]
Referências
[1] Mateus 6:9-13 | Lucas 11:2-4
Lei universal do amor
Quem aprendeu a amar aprendeu a viver.
Vaidade de vaidades, diz o pensador, vaidade de vaidades, o amor é minha única chance de não ser uma vaidade.
Ainda que eu, Salomão, filho de Davi, tivesse mil mulheres e desse festas em todos os meus casamentos. Ainda que eu realizasse todos os desejos do meu coração e desse a mim mesmo tudo o que os meus olhos conseguissem enxergar.
Ainda que eu me vestisse com ouro e prata todos os dias da minha vida e morasse no mais belo palácio do mundo. Ainda que eu fosse o homem mais sábio e mais rico de toda humanidade, antes e depois de mim. Sem o amor, eu seria um tolo. Sem o amor, eu seria uma vaidade. Sem o amor, eu seria uma futilidade.
Vaidade de vaidades, sinto-me uma completa vaidade. Vaidade de vaidades, é terrível constatar, depois de velho e já sem tempo para reparar o erro, que muito do que fiz foi uma grande vaidade.
Humanidade, me desculpe, me perdoe. Muito do que fiz foi apenas em busca dos meus interesses. E foi buscando apenas a mim mesmo que me tornei um grande vaidoso. Eu acreditava estar na sacada do meu palácio observando o mundo lá fora, e com minha sabedoria buscando dar uma sentença a ele, mas eu estava mesmo era tentando desesperadamente me encontrar e preencher o meu vazio interior.
Hoje sei o segredo do sucesso, é fazer por amor. Sei também o segredo do fracasso, é fazer por vaidade. Eu sei que o amor não é uma vaidade. Tudo é vaidade se é feito vazio de amor, mas nada é vaidade se é feito com amor. “A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.” A presença do amor é a maior de todas as riquezas.[1]
Trabalhar com prazer, desfrutar o bem, ter comunhão com as pessoas e buscar a sabedoria divina são manifestações do amor. Ser preguiçoso, desejar e nada possuir, viver em solidão e ser um tolo são manifestações da vaidade.
O Amor é a coisa mais importante na vida e a ausência dele torna tudo sem importância. A fé, a esperança e a graça estão entre as coisas mais nobres que teremos nesta vida, mas até mesmo elas, vazias de amor, são vaidades. Com o amor, tudo é eterno. Sem o amor, tudo é vaidade.
Você tem dificuldade em crer em um único Criador? Ame! Tem falta de fé? Ame! Você tem cometido muitos pecados? Ame, porque “o amor cobre todas as transgressões”![2]
A conclusão de tudo é esta: ame o Criador acima de tudo e o próximo como Cristo nos amou.[3]
A maior expressão de amor é a de doar a sua vida a alguém. Não se preocupe com o que as pessoas pensam sobre você. O que realmente importa é o que Deus pensa sobre você. Tema a Deus e obedeça aos mandamentos d’Ele; faça o bem, dê as costas para o mal. Esse é o dever de toda a humanidade.
Ame o Amor. O Amor é fiel. O Amor é soberano. O Amor ocupa o Trono do Universo. No "Último Dia" o Amor nos julgará, em amor, por todos os nossos atos, incluindo os que fazemos em segredo, seja o bem, seja o mal.[4] O Amor nos julgará, em amor, por cada momento que poderíamos ter amado e não amamos; poderíamos ter pensado no outro e não pensamos. No "Último Dia" o Amor nos fará três perguntas:
— Você me amou? Você amou o outro? Você amou?
O amor não pratica o mal contra o próximo; portanto, o cumprimento da Lei é o amor.[5] “A Lei de Deus é a Lei do amor.” [6] Quem ama está salvo. Quem não ama está condenado. É no amor compartilhado que o Amor se sente glorificado.[7]
Referências
[1] Madre Teresa de Calcutá, sem data.
[2] Deus.
[3] Deuteronômio 6:5 | João 13:34.
[4] Eclesiastes 12:13-14 (Nova Versão Transformadora).
[5] Romanos 13:10 (Nova Almeida Atualizada).
[6] (CHAMPLIN, Vol. 4, 2014, p. 658).
[7] Esse texto é uma paráfrase baseada em fatos da vida de Salomão, com foco nos livros de Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos, e com a verdade de Cristo Jesus resumida em 1 Coríntios 13.
A identidade de Deus
Ninguém explica Deus, mas o próprio Deus nos revela quem Ele é.
Era final de janeiro de 2019 quando em silêncio no meu quarto fechado, de joelhos dobrados, ouvi a voz do Senhor, dizendo:
— Em 1 Coríntios 13 eu estou falando de mim. Para você me conhecer, basta você parafrasear todas as minhas ações com base em 1 Coríntios 13.
Então, o próprio Amor fez duas paráfrases:
Ainda que eu morresse em uma cruz, sem pecado, e ressuscitasse ao terceiro dia, se não fosse por amor, de nada adiantaria.
E assim, você pode parafrasear todas as minhas ações, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que você irá me conhecer.
Rapidamente, pensei nas principais histórias da Bíblia e comecei a parafrasear:
inda que eu permitisse que Jó fosse provado, se não fosse por amor, de nada adiantaria
Ainda eu permitisse que Daniel fosse lançado na cova dos leões e resgatá-lo com vida, se não fosse por amor, seria apenas uma demonstração de poder para impressionar as pessoas.
inda que eu destruísse Sodoma e Gomorra, se não fosse por amor, de nada adiantaria.
Então, após essas paráfrases, eu perguntei:
Tudo isso é amor?
E o Amor respondeu:
— Sim.
Após essa resposta, fiquei refletindo um pouco e, depois, perguntei:
—Então, sua ira é amor
E o Amor respondeu:
— Sim.
Quando essas palavras vieram até mim, comi cada sílaba e as digeri em meu íntimo; elas me nutrem dia após dia e são minha maior satisfação na existência. Essa voz que falou comigo outras dezenas de vezes, trouxe-me até aqui, neste livro, e motivou-me a contar a você essa minha experiência.
Amor é Seu Nome
Em 1 Coríntios 13, estou falando de mim.
Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor, minhas palavras não seriam eternas, mas seriam tão passageiras como o címbalo que soa e logo o som acaba.
Ainda que eu tivesse o dom de profetizar e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, mas utilizasse essas habilidades sem amor, de nada valeria.
Ainda que, pela fé, eu transportasse grande montes, não sendo por amor, seria uma grande demonstração de vaidade e exibicionismo.
Ainda que eu doasse todos os meus bens aos pobres e entregasse o meu corpo para ser queimado por uma causa nobre, não sendo por amor, seria uma atitude totalmente irrelevante.
O Ágape é paciente e longânimo. Ele não sente inveja, não se vangloria e não ostenta o que possui.
O Ágape não é rude, grosseiro ou ofensivo. Ele é manso, humilde e gentil. Ele não busca seus próprios interesses e não guarda mágoas.
O Ágape não se alegra com a injustiça, mas com a verdade. O Ágape tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Ágape nunca falha; n’Ele não há margem de erro. Ele nunca cairá, é invencível.
Amor é seu nome, depois disso é sobrenome.[1]
Referência
[1] Versão de 1 Coríntios 13 mais explicativa e com mais sinônimos.
O Amor é Soberano
Esta foi uma longa procura...
É Amor ou Soberano? É Amor ou Tirano? Posso te conhecer? Ou passarei a vida inteira sem te entender? Estás próximo? De quem? Onde?
Procurei-te em muitos lugares e em muitas pessoas. Procurei-te no Seminário, também no hinário. Procurei-te na beleza das flores e na sabedoria dos doutores. Não te achei o suficiente. Nos teólogos, a resposta para a minha dúvida não achei. Nas férias, de BH a São Paulo viajei, em meu coração dizendo: “Desta vez te encontrarei”.
É Natal! Santos cantam o Seu nascimento, e naquele momento, um alento, Ele falou em meu pensamento: “O Amor é soberano”! Alegre, chorei. Agora ao mundo proclamarei: “O Amor é soberano”!
Senhor, o Teu falar é muitíssimo doce, totalmente desejável.[1] É por isso que tua noiva te ama.
Comentário
O fato mencionado no texto é testemunho verídico. Aconteceu enquanto o coral cantava no Natal de 2018, na igreja Batista do bairro Água Branca, São Paulo-SP, Brasil.
Referências
[1] Cânticos 5:16 (Almeida Corrigida Fiel) / Salmos 119:103.
Cânticos dos Cânticos
Daqui só se leva amor.
Jota Quest
Beija-me com os beijos de sua boca, pois melhor é o seu ágape do que o vinho.[1] Suaves são os aromas dos seus perfumes. Como perfume derramado é o seu nome, a sua reputação.
Não é sem razão que te amo.[2] Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, pois desfaleço de ágape,[3] estou morrendo de amor. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, a sua acusação?[4] Ele me atraiu com laços de amor e levou-me para perto d’Ele. Segurou-me em seus braços como quem segura uma criança no colo e cuidou de mim.[5] Ele me levou à sala do banquete, e a bandeira hasteada para comemorar a vitória sobre a morte e o pecado era o ágape.[6]
Deus me levou ao Céu, onde estão os tesouros eternos, onde as traças e a ferrugem não corroem e os ladrões não podem roubar.[7] Os tesouros são obras de amor, são brasas de fogo, são obras eternas. As muitas águas não podem apagar as brasas vivas do amor, nem os rios afogá-las.[8] Se alguém tentasse utilizar todas as riquezas que possui para comprar o amor, sua oferta seria por completo desprezada.[9]
Conhecer o Amor é ver o infinito sem a ansiedade de chegar lá. É um respirar tranquilo do presente, trazendo do passado apenas o aprendizado.
Nota:
Cântico dos Cânticos foi selecionado entre centenas de outros que Salomão escreveu. O livro de Cânticos retrata o amor entre Salomão e Sulamita, homem e mulher. Tanto na Septuaginta (Antigo Testamento em grego) como no Novo Testamento em grego, o amor entre marido e a mulher é amor ágape, amor incondicional, amor sacrificial, amor doação.
Salomão não se apresenta como rei, mas como pastor de ovelhas. Cântico dos Cânticos também simboliza o amor entre Cristo e a Igreja. Cristo, da mesma forma que Salomão, não se apresenta como rei, e sim como o bom pastor, aquele que dá a sua própria vida por suas ovelhas. Salomão e Cristo sabem que o amor não pode ser comprado com ouro, prata ou com qualquer outro tesouro deste mundo.
Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu.[10]
Referências
[1] Cânticos 1:2.
[2] Cânticos 1:4.
[3] Cânticos 2:5.
[4] 1 Coríntios 15:5 / Oséias 13:14.
[5] Oseias 11:4.
[6] Cânticos 2:4.
[7] Mateus 6:19-20.
[8] Cânticos 8:6.
[9] Cânticos 8:7b.
[10] Cânticos 6:3 (Almeida Corrigida Fiel).
A divorciada samaritana e Jesus
Conte para eles o que estou te contando. Conte para eles sobre a mulher samaritana.
Deus
E disse Deus:
— Mulher, eu sei que você se divorciou cinco vezes e que agora tem um amante. Você procura em homens o que se acha apenas em mim. Sei que você foge das pessoas pelo medo de ouvir as palavras que saem nos lábios delas. Mas se hoje você ouvir a palavra que tenho a lhe falar, nunca mais terá medo de outras palavras.
Respondeu a mulher:
— Senhor, então me fale, para que nunca mais eu fique escrava do que ouço a meu respeito.
E disse Deus:
— Mulher, eu te amo.
Fim.
Esse texto acima é uma paráfrase de João 4:1-30 (A mulher samaritana e Jesus). Essa paráfrase me foi dada por Deus.
Em João 3:1-2, Nicodemos, fariseu, líder religioso e príncipe dos judeus, marcou um encontro com Jesus em um período noturno, às escondidas, possivelmente para não correr o risco de ser visto pelos demais na companhia de Jesus, pois, naquele momento, a mensagem proclamada por Jesus já começava a representar uma ameaça aos interesses dos fariseus (CHAMPLIN, Vol. 2, 2014).
Jesus, por sua vez, foi encontrar-se com a mulher samaritana por volta do meio-dia, às claras, sol escaldante, local histórico: poço de Jacó. Jesus assentou-se junto ao poço. Veio a mulher samaritana tirar água.
Jesus lhe pediu: “Mulher, dá-me de beber.” Replicou-lhe a mulher samaritana: “Como sendo tu, que és judeu, pedes de beber a mim, sendo eu do povo samaritano?”[1]
Aqui, nessa simples réplica da mulher samaritana, não se trata apenas de uma pergunta devido ao distanciamento entre judeus e samaritanos, mas revela também uma mulher questionadora. No costume da época, uma mulher submissa, nessa ocasião, pegaria a água sem questionar.
Em Gênesis 24:14, já é possível perceber essa expectativa de mentalidade quando o servo de Abraão sai à procura de uma esposa para Isaque. E assim disse o servo: “Aquela a quem eu pedir água do poço, e ela der de beber a mim e a meus camelos, essa será a esposa de Isaque.” Ou seja, submissa e proativa.
No trecho bíblico de João 4, percebe-se uma mulher muito questionadora para o seu tempo. Naquela época, o divórcio era algo muito comum, e esse comportamento certamente justificaria, aos olhos da sociedade, o motivo pelo qual seus maridos lhe concediam carta de divórcio.
Observe a seguir cinco versículos de “Eclesiástico”, livro deuterocanônico escrito por Jesus Ben Sirac entre 190 e 180 a.C., que buscava, em resumo, preservar a identidade e salvaguardar a fé e a vocação de Israel, bem como reavivar a memória e a consciência histórica do seu povo, a fim de mostrar o valor perene de suas tradições.[2]
Não deixe a água escapar, nem dê liberdade de falar para a mulher má. Se ela não andar conforme seus acenos, separe-se dela.[3]
Mulher amiga do silêncio é dom do Senhor e nada é comparável à alma bem-educada.[4]
Qualquer maldade é nada diante da maldade da mulher: caia sobre ela a sorte dos pecadores.[5]
Nenhuma ferida é como a do coração, e maldade nenhuma é como a da mulher.[6]
É preferível a maldade do homem à bondade da mulher.[7]
Esse último versículo sugere que toda mulher é má quando comparada ao homem, e no decorrer de todo o livro de Eclesiástico, fica a sensação de que provavelmente uma mulher de fato bondosa seria uma coisa raríssima de se ver.
Citei esses três últimos versículos por causa da expressão “mulher má”, que é mencionada no primeiro. Se esses cinco versículos acima citados vieram da mente de um homem considerado sábio, imagina a tragédia que se passava nas mentes dos homens símplices, que são a maioria!?
Em 1 Coríntios 14:34-36, o apóstolo Paulo, possivelmente utilizando dessa mesma “lente cultural”, orienta as mulheres a ficarem em silêncio durante o culto e a não fazerem perguntas, deixando-as para seus maridos (andras)[8] em casa.
Em João 4, Jesus permite que a mulher samaritana pergunte o que quiser, afinal, a verdade não tem medo de ser questionada. Ele conversa com ela respeitando-a como uma igual. Isso, naquela época, seria inadmissível pelos homens, quanto mais por um rabino. Voltemos ao diálogo entre Jesus e a mulher samaritana. Observe o trecho a seguir:
Em resposta Jesus lhe disse: “Se conhecesses o dom de Deus e soubesses quem é aquele que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.”10
Disse-lhe a mulher: “Senhor, nem sequer um balde tens, e o poço é fundo. De onde podes, então, obter a água viva?11 Acaso és tu maior que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, e ele mesmo bebeu dele, e também dele beberam seus filhos e seus animais?”12
Respondendo, disse-lhe Jesus: “Todo aquele que beber desta água, terá sede novamente, 13 mas, quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, pelo contrário, a água que eu lhe der virá a ser nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.”14
A mulher então lhe rogou: “Senhor, dá-me desta água, para que eu não tenha sede e não tenha que vir aqui tirar desta água.”15
Disse-lhe Jesus: “Vai chamar o teu marido e vem cá.”16
Respondeu-lhe a mulher: “Não tenho marido.”17
Disse-lhe Jesus: “Falaste com sinceridade ao dizeres: ‘Não tenho marido’. De fato, tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é teu marido. Disseste a verdade.” [9]
No que se refere à expressão “água viva”, citada em João 4:10, ao que parece, a maioria dos cristãos compreendem facilmente que se trata de uma metáfora para se referir a uma oportunidade de “vida eterna” que foi concedida à samaritana. Entretanto, alguns afirmam que a expressão “cinco maridos”, utilizada por Jesus em João 10:18, esteja se referindo a cinco deuses que a samaritana adorava e não a cinco maridos.
Há também alguns cristãos que argumentam que os cinco maridos da samaritana não sejam por causa de cinco divórcios, mas sim por causa de cinco maridos que faleceram. Quanto a esse último argumento, eu me questiono: Por que Jesus confrontaria uma mulher que fora por cinco vezes viúva? Por que ela buscaria água ao meio-dia? Por que não pela manhã ou no fim da tarde, junto com as outras mulheres? Seria a vergonha de ser viúva por cinco vezes? Por que o isolamento social?
É verdade que examinando apenas os versículos de João 4:16-18, ninguém poderá provar historicamente de forma absoluta que foram de fato cinco divórcios, mas também ninguém poderá negar essa possibilidade.
Na série The Chosen (Os Escolhidos), na primeira temporada, no oitavo episódio, a mulher samaritana foi apresentada como uma mulher que teve cinco maridos e que viveu com cada um deles em momentos diferentes de sua vida. Estou ciente de que uma série dramatiza os fatos para tornar a história mais interessante de assistir. Contudo, essa série, no geral, é fiel ao contexto histórico da época em vários aspectos ao retratar a realidade. Todavia, acredito que qualquer série, filme ou documentário que tenha compromisso com a realidade histórica, ao abordar a mulher samaritana, provavelmente seguirá a interpretação mais comum da passagem, segundo a qual ela teria se divorciado cinco vezes e, naquele momento, estaria vivendo um sexto relacionamento, considerado irregular.
Finalizando esta questão, afirmo que, entre os cinco maridos que a mulher samaritana teve, basta que tenha ocorrido um único divórcio sem que houvesse o adultério do seu marido, seguido de um novo casamento legalmente reconhecido, para que se levante um sério questionamento à teologia que defende a perda da salvação em decorrência de um único divórcio e de um novo casamento quando não há adultério envolvendo a separação. Afinal, se essa possibilidade estiver presente na própria narrativa, a conclusão teológica deixa de ser tão simples quanto muitos supõem.
No que diz respeito ao texto grego, a palavra que é utilizada em João 4:16-17, no grego original, para se referir a “marido” é a palavra “andra”. E em João 4:18 para “maridos” é “andras”. (a palavra “maridos” no grego aparece também como “andres”). É necessário dizer, obviamente, que não encontrei nenhuma Bíblia Sagrada traduzida em português que não tenha utilizado a palavra “marido” em João 4:16-17 e “maridos” em João 4:18. (Tendo pesquisado cerca de vinte versões bíblicas).
Vejamos a seguir três versículos da Bíblia Sagrada nos quais a palavra grega aparece também significando “marido” e “maridos”:
Entretanto, cada um de vós individualmente também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite o marido (andra) (Efésios 5:33).[10]
Alegra-te, estéril, que não dás à luz; irrompe e grita, tu que não tem dores de parto; porque muitos são os filhos da desolada, mais do que os filhos da mulher que tem marido (andra) (Gálatas 4:27).[11]
Maridos (andres), convivei cada um com sua mulher, sabendo que ela é o vaso mais frágil, e tratai-a honrosamente, como coerdeira convosco da graça da vida. E assim as vossas orações não serão interrompidas
(1 Pedro 3:7).[12]
Diante do exposto, considero insustentável a interpretação de que, em João 4:16-18, as palavras "andra" e "andras" estejam se referindo a deuses.
Voltemos ao texto:
Disse-lhe a mulher: “Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte (Gerizim), e vós dizeis que em Jerusalém está o local onde é necessário adorar.”
Disse-lhe Jesus: “Mulher, creia em mim: Vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação provém dos judeus. Mas vem a hora, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e em verdade. E de fato são esses os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e é necessário que aqueles que o adoram, o adorem em Espírito e em verdade.”
Disse-lhe a mulher: “Sei que o Messias, chamado Cristo, vem. Quando ele vier nos esclarecerá tudo.”
Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que falo contigo.”
Nisso chegaram os seus discípulos e se espantaram ao ver que ele falava com uma mulher. Todavia, ninguém lhe perguntou: “Que buscas”? ou: “Que falas com ela?”
Então a mulher largou o seu jarro, foi para a cidade e disse aos homens: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Não será este o Cristo?” Eles saíram da cidade e foram encontrar-se com ele.[13]
Quando leio esse trecho de João 4 e reflito sobre a interpretação de que os cinco maridos da mulher samaritana seriam, na verdade, cinco deuses, eu me pergunto: por que a samaritana seria herética e sincera ao mesmo tempo? Por que uma idólatra esperaria pela chegada do Messias, sendo essa uma promessa de Yahweh, o único Deus? Por que uma idólatra teria um dilema quanto ao local correto de adoração a Yahweh, sendo Ele um Deus que claramente exige exclusividade na adoração? Por que ela faria perguntas teológicas? Quanto mais se observa o contexto da narrativa bíblica, menos coerente se torna a interpretação de que os cinco maridos da mulher samaritana seriam cinco deuses.
À medida que o contexto da narrativa bíblica é analisado, considero insustentável a interpretação que trata os cinco maridos da mulher samaritana como cinco deuses.
Até aquele momento, Jesus não tinha revelado publicamente, de forma verbal e explícita, que Ele era o Messias que havia de vir. Ele havia guardado essa informação por cerca de trinta anos, e quando Ele decidiu revelar ao mundo que era, de fato, o Messias, Ele o fez à mulher samaritana.
Coloque-se no lugar de Jesus e imagine-se guardando uma informação extremamente valiosa por cerca de trinta anos. Agora, eu lhe pergunto: a quem você contaria essa informação?
Certamente, você a confiaria a alguém que lhe desse grande valor. E percebo que foi exatamente isso que Jesus fez. Considero coerente concluir que Jesus se revelou à mulher samaritana porque encontrou nela um coração sincero e disposto a adorar a Deus, além de uma profunda expectativa pela chegada do Messias.
Quando Jesus diz à mulher, junto à fonte: "Sou eu, que falo contigo", vejo nessa declaração algo muito interessante. É como se Ele estivesse dizendo: "Eu sou a fonte que você tanto procura."
Quando Jesus diz à mulher, junto à fonte: "Sou eu, que falo contigo", vejo nessa declaração algo muito interessante. É como se Ele estivesse dizendo: "Eu sou a fonte que você tanto procura. O Eu Sou está diante de você.”
O Pai procura verdadeiros adoradores que o adorem em Espírito e em verdade. Jesus reconheceu na samaritana um coração sedento por Deus e, por isso, revelou-se a ela. A mulher samaritana, por sua vez, ao ouvir que Jesus era o Messias, saiu para anunciar ao seu povo que o Salvador tão esperado havia chegado.
Deus é Deus de quem o busca, de quem o deseja, mas acima de tudo, Deus é Deus para quem precisa.[14]
Referências
[1] João 4:7b, 9 (NOVO TESTAMENTO, Grego-Português, 2015, p. 364).
[2] (BÍBLIA Sagrada – Edição pastoral – 2005)
[3] Eclesiástico 25:25-26 (Edição Pastoral / Eclesiástico Hebraico – Português. Doaldo F. Belém. Copyright 2015).
[4] Eclesiástico 26:14 (Edição Pastoral).
[5] Eclesiástico 25:18 (Edição Pastoral).
[6] Eclesiástico 25:12 (Edição Pastoral).
[7] Eclesiástico 42:14 (Edição Pastoral).
[8] Palavra grega para se referir a marido.
[9] (João 4:10-18 NOVO TESTAMENTO, Grego-Português, 2015, p. 364-365).
[10] (NOVO TESTAMENTO, Grego-Português, 2015, p 736).
[11] (NOVO TESTAMENTO, Grego-Português, 2015, p 717).
[12] (NOVO TESTAMENTO, Grego-Português, 2015, p 866).
[13] (João 4:19-29. NOVO TESTAMENTO, Grego-Português, 2015, p. 365-367).
[14] Marcos 2:17.
Obrigado por caminhar comigo até aqui.
Se estas palavras foram um alento para o seu coração, saiba que foram escritas para que você jamais se sinta sozinho em sua jornada.
Lembre-se: o Amor que o encontrou não desiste de você.
Que a paz que excede todo entendimento repouse sobre a sua casa, sua família e toda a sua vida.
Com amor e graça,
Thiago Silva
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